Nova Zelândia suspende tratado de extradição com Hong Kong

País é 5º a tomar decisão em reação à lei de segurança nacional

Hong Kong vem sendo alvo de ações internacionais por conta de nova lei de segurança nacional
Hong Kong vem sendo alvo de ações internacionais por conta de nova lei de segurança nacional (foto: ANSA)
11:45, 28 JulSYDNEY ZGT

(ANSA) - O governo da Nova Zelândia anunciou nesta terça-feira (28) a suspensão do acordo de extradição de suspeitos ou fugitivos com Hong Kong como resposta à implementação da lei de segurança nacional no território semiautônomo chinês.

Com isso, a nação se torna a quinta a anunciar a medida, depois de Estados Unidos, Austrália, Canadá e Reino Unido. Os membros da aliança de Inteligência "Five Eyes" são os mais empenhados em retaliar a China por conta da mudança legislativa que, segundo eles, fere os direitos dos moradores do território e afeta o princípio "um país, dois sistemas".

"A Nova Zelândia não pode confiar no fato de que o sistema judiciário de Hong Kong seja suficientemente independente da China", afirmou o ministro das Relações Exteriores, Winston Peters, ao anunciar a suspensão do acordo.

Além disso, o titular da pasta anunciou outras mudanças e ressaltou que também as exportações militares e de tecnologia com Hong Kong serão realizadas nos mesmos protocolos adotados com Pequim. O Ministério ainda atualizou um alerta de viagem para seus cidadãos que pretendem ir para o território semiautônomo, destacando o quanto a nova lei pode afetá-los.

O embaixador chinês em Wellington, Wu Xi, afirmou que o governo chinês responderá formalmente as declarações de Peters.

No início de julho, quando o governo de Jacinda Ardern anunciou que estava analisando a possibilidade de suspender o acordo de extradição, a embaixada chinesa havia publicado um comunicado em que pedia que a Nova Zelândia "desistisse de interferir nos assuntos de Hong Kong e nos assuntos internos da China" e que "se abstivesse de prosseguir na estrada errada".

- China anuncia resposta para países: No mesmo dia em que Wellington anunciou a suspensão do tratado, o governo chinês divulgou que também suspenderá os acordos de extradição de Hong Kong com Reino Unido, Canadá e Austrália por "intromissão em assuntos internos".

"As ações erradas de Canadá, Austrália e Grã Bretanha na politização das cooperações judiciárias com Hong Kong afetaram seriamente as bases da cooperação. A China decidiu suspender os acordos de extradição [...] bem como sua cooperação judiciária penal", afirmou um dos porta-vozes do Ministério das Relações Exteriores, Wang Wenbin.

Em vigor desde 30 de junho deste ano, a nova lei de segurança nacional causou polêmica por aplicar novas penas e mudar o texto do que se considera crimes de subversão e secessão, bem como terrorismo e interferência de governos estrangeiros.

Os países acusam Pequim de impedir os protestos dos cidadãos por mais democracia no território e de cercear a liberdade de expressão. A acusação se justifica pelo fato do governo chinês poder instalar agências de segurança e inteligência que se submetem apenas a Pequim, não passando pelos órgãos de poder local.

Já a China diz que a lei moderniza e melhora a legislação de Hong Kong, que era muito vaga em relação a esses temas. (ANSA)

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