Hong Kong prende magnata da mídia pró-democracia

Jimmy Lai é acusado de "colusão com forças estrangeiras"

Jimmy Lai é um notório crítico do regime chinês
Jimmy Lai é um notório crítico do regime chinês (foto: EPA)
08:57, 10 AgoPEQUIM ZLR

(ANSA) - O magnata da mídia Jimmy Lai, apoiador dos protestos pró-democracia em Hong Kong, foi preso na manhã desta segunda-feira (10) com base na nova lei de segurança nacional imposta pela China.

Lai, 71 anos, saiu algemado da sede de seu jornal, o Apple Daily, que foi alvo de uma operação de busca da polícia honconguesa. O magnata e outras seis pessoas foram detidas por suspeita de "colusão com forças estrangeiras", um dos crimes previstos na lei de segurança nacional, e fraude.

A polêmica legislação entrou em vigor no fim de 2018 e autorizou a China a abrir escritórios de suas agências de segurança nacional em Hong Kong, cidade que tinha um status semiautônomo desde sua devolução pelo Reino Unido, em 1997.

Além disso, a lei prevê até prisão perpétua para quem cometer crimes de separatismo, subversão e colusão com forças estrangeiras. Lai é fundador da varejista de moda Giordano e do grupo de mídia Next Digital, maior empresa de Hong Kong no setor.

O magnata também é um dos principais contribuintes dos movimentos pró-democracia na cidade e um notório crítico do regime chinês. "Esse é o fim da liberdade de imprensa e o pior dia para os jornalistas. Vocês conseguem imaginar algo similar nas redações do New York Times ou do Guardian?", escreveu no Twitter o ativista Joshua Wong.

Jornalistas do Apple Daily transmitiram a operação policial ao vivo no Facebook e exigiram a apresentação de um mandado judicial pelos agentes. "Diga para seus colegas tirarem as mãos enquanto nossos advogados checam o mandado", disse o editor-chefe Law Wai-kwong.

O presidente da Associação dos Jornalistas de Hong Kong, Chris Yeung, afirmou que a ação foi "chocante e aterrorizante". "Isso não tem precedentes e seria inimaginável apenas um ou dois meses atrás", acrescentou.

O Apple Daily é bastante popular em Hong Kong e financiado pelos recursos de Lai, já que poucas empresas se arriscam a anunciar no jornal. A China chama o empresário de "traidor" e diz que ele está por trás dos protestos que chacoalharam a cidade no ano passado.

Sanções

A China também anunciou nesta segunda-feira sanções contra 11 cidadãos americanos, incluindo os senadores republicanos Marco Rubio e Ted Cruz, em resposta a medidas impostas pelo presidente Donald Trump contra a governadora Carrie Lam e outras 10 autoridades de Hong Kong.

"A China decidiu impor sanções contra algumas pessoas que se comportaram mal em relação a Hong Kong", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Zhao Lijian. Ele também citou como alvos o diretor da ONG Human Rights Watch, Kenneth Roth, e o presidente da organização National Endowment for Democracy, Carl Gershman.

O porta-voz, no entanto, não entrou em detalhes sobre como as sanções vão funcionar. (ANSA) 

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