Começa julgamento contra Charlie Hebdo por charge sobre Amatrice

Jornal fez sátira sobre o terremoto que devastou cidade italiana

Jornal fez sátira sobre o terremoto que devastou cidade italiana
Jornal fez sátira sobre o terremoto que devastou cidade italiana (foto: ANSA)
17:53, 09 OutPARIS ZCC

(ANSA) - Começou nesta sexta-feira (9) em Paris, na França, o julgamento de uma ação movida pela cidade de Amatrice contra o jornal "Charlie Hebdo" por duas charges que satirizam o terremoto que devastou o território italiano em agosto de 2016.

Após um processo apresentado na Itália em setembro de 2016, o semanário satírico foi denunciado na França, no mês de novembro do mesmo ano, por "insulto" e "difamação agravada".

A charge em questão foi publicada no dia 2 de setembro e mostrava as vítimas do terremoto - ocorrido na região central da Itália no dia 24 de agosto de 2016 - como "pratos" de comida. O desenho, intitulado 'Terremoto à Italiana', retratava as pessoas como se fossem tipos de massa - penne ao sugo, penne gratinado e lasanha.

Diante da reação negativa dos italianos, o Charlie Hebdo, conhecido pelo tom provocativo, publicou uma segunda charge afirmando que a "máfia" foi quem construiu as casas que caíram por causa do tremor e ironizou o fato do sismo ter matado como "um ataque" feito por terroristas.

O texto diz "italianos…. não foi o Charlie Hebdo que construiu suas casas, foi a máfia!" e mostra uma pessoa com metade do corpo enterrado em escombros.

Os dois cartuns provocaram uma avalanche de críticas e protestos. De acordo com o advogado francês Yassine Maharsi, o prefeito e o município de Amatrice consideram as charges ofensivas "para as vítimas e para os italianos em geral".

A embaixada francesa em Roma especificou que "o desenho do Charlie Hebdo não representa de forma alguma a posição da França".

Por sua vez, o jornal francês duramente atingido por um atentado jihadista em 2015 sempre se defendeu das acusações, ressaltando a liberdade de expressão e da sátira.

O terremoto na região central da Itália provocou a morte de quase 300 pessoas e devastou as cidades de Amatrice, Accumoli e Arquata del Tronto. (ANSA)

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