UE teve quase 170 mil mortes em excesso entre março e junho

Bergamo, na Itália, e Segóvia, na Espanha, tiveram maiores altas

Bergamo, na Itália, chegou a ter uma taxa de 895% a mais de mortes entre 15 e 21 de março
Bergamo, na Itália, chegou a ter uma taxa de 895% a mais de mortes entre 15 e 21 de março (foto: ANSA)
16:07, 19 OutBRUXELAS ZGT

(ANSA) - Um relatório com dados preliminares do Escritório de Estatísticas da União Europeia (Eurostat) mostrou que, entre os meses de março e junho, houve o registro de mais de 168 mil mortes do que no mesmo período da média entre os anos de 2016 e 2019.

Divulgado nesta segunda-feira (19), o documento apresenta o chamado "excesso de mortes" e pode servir de base para verificar o impacto real da pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2) no continente europeu na comparação com períodos "de normalidade".

O estudo informa que fez o cálculo com dados coletados até 17 de outubro e soma todas as mortes registradas em 26 países-membros em que os números do tipo estão disponíveis, em dados que podem ainda ser ampliados conforme atualização de cada país. Não foi informada qual a nação não contabilizada.

O pico de mortes em excesso foi registrado na semana 14 do ano, entre o fim de março e o início de abril, quando foram computadas 36 mil mortes a mais do que o normal para o período.

Desde o início de maio, foram registrados cerca de cinco mil óbitos a mais por semana, em número que foi reduzindo constantemente até a metade de junho - quando bateu 2,2 mil mortes a menos do que a média na semana 25.

Os dados do Eurostat mostram que a Itália e a Espanha foram os mais atingidos pelo excesso de mortes entre as semanas 10 e 26 - março e junho. No período, a Espanha registrou 48 mil mortes a mais e a Itália 46 mil. França (30 mil), Alemanha e Países Baixos (cerca de 10 mil cada) vêm na sequência. Os demais 21 países somaram juntos 25 mil mortes a mais no período.

A Espanha teve mais do que o dobro de falecimentos durante as semanas 13 e 15 e a Itália teve 40% de mortes em excesso entre as semanas 11 a 15.

O Eurostat também divulgou as estatísticas por cidades e apontou que Bergamo, na Itália, e Segóvia, na Espanha foram as mais atingidas em todos os países analisados.

"A análise das semanas 10 a 26 (março a junho) em nível regional por toda a Europa mostrou que as maiores taxas de mortes adicionais estavam em áreas da Espanha Central e do Norte da Itália. Comparado à média de mortes entre os anos de 2016 e 2019, o maior incremento no número de mortes foi notado em Bergamo, norte da Itália, com um pico na semana 12 de 895% de aumento, seguido por Segóvia na Espanha (634%) na semana 13", diz o relatório.

O documento também mostra diferenças de óbitos entre homens e mulheres, sendo que eles morreram mais no início de março, no fim de maio e na primeira semana de junho. Já elas morreram mais entre abril e início de maio. A partir da segunda semana de junho, os números entre homens e mulheres voltaram a ser equilibrados.

Outro dado importante é que o excesso de mortes se concentrou na faixa acima dos 70 anos, sendo que 96% dos 168 mil mortos a mais (cerca de 161 mil) foram de pessoas nessa idade. Entre 2016-2019, a faixa etária representava 76% de todos os falecimentos.

Em outro arquivo do site do Eurostat, com dados ainda não finalizados e que incluem 31 países europeus que fazem parte tanto do bloco como de acordos e áreas econômicas europeias, o excesso de mortes no período é de cerca de 230 mil. (ANSA).
   

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