Conflito na Etiópia pode provocar fuga de 200 mil pessoas

Exército federal move ofensiva na região dissidente de Tigray

Abiy Ahmed (em primeiro plano) venceu o Nobel da Paz em 2019 por acordo de paz com a Eritreia
Abiy Ahmed (em primeiro plano) venceu o Nobel da Paz em 2019 por acordo de paz com a Eritreia (foto: EPA)
14:47, 11 NovROMA ZLR

(ANSA) - O conflito entre o governo federal da Etiópia e o estado regional de Tigray, no norte do país, pode provocar a fuga de 200 mil pessoas para o vizinho Sudão.

A estimativa é de funcionários oficiais citados pela emissora árabe Al Jazeera e chega após cerca de 6 mil etíopes terem atravessado a fronteira sudanesa para se proteger.

O chefe do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) na Etiópia, Sajjad Mohammad Sajid, alertou que pelo menos 2 milhões de moradores de Tigray vivem um período "muito difícil", com escassez de combustível e alimentos.

Há cerca de uma semana, o governo do primeiro-ministro Abiy Ahmed, vencedor do Nobel da Paz em 2019, iniciou uma ofensiva contra a Frente Popular de Libertação de Tigray (TPLF), partido dominante na região, levantando temores de uma nova guerra civil em um país historicamente turbulento, mas que chegou a dar indícios de estabilização nos últimos anos.

A ação começou após forças leais ao governo de Tigray terem atacado soldados do Exército em um quartel em Macallé, capital da região. O TPLF, partido da etnia tigré, que representa 96% da população de Tigray e 6% dos etíopes, foi a principal força política no país durante décadas, mas reclama de ter sido marginalizado no governo federal com a ascensão de Ahmed, em abril de 2018.

O partido também é contra o processo de paz com a vizinha Eritreia, que rendeu a Ahmed o Nobel da Paz em 2019 - Tigray faz fronteira com o país -, e questiona o adiamento por tempo indeterminado das eleições previstas para agosto deste ano. (ANSA) 

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