Europeus criticam exclusão da conta de Trump do Twitter

Governos se dizem preocupados por poder das grandes empresas

Twitter suspendeu a conta de maneira permanente no dia 8 de dezembro
Twitter suspendeu a conta de maneira permanente no dia 8 de dezembro (foto: ANSA)
12:33, 11 JanBERLIM ZGT

(ANSA) - Os governos da Alemanha e da França se manifestaram nesta segunda-feira (11) sobre a suspensão permanente da conta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, do Twitter.

A rede social decidiu excluir o perfil na última sexta-feira (08) por conta dos "riscos" de novas incitações para atos de violência no país, dois dias após a invasão ao Capitólio feita por apoiadores do republicano.

"A chanceler Angela Merkel considera problemático que tenha sido bloqueada, de maneira completa, a conta no Twitter de Donald Trump", disse o porta-voz da líder alemã, Steffen Seibert, ao responder um jornalista na coletiva de imprensa diária.

De Paris, as críticas foram feitas pelo ministro da Economia, Bruno Le Maire, que se disse "chocado" que "foi o próprio Twitter quem decidiu fechar o perfil". "A regulamentação dos gigantes da web não pode ocorrer através da mesma oligarquia digital", acrescentou ainda.

Já a Comissão Europeia se manifestou através de um porta-voz, que afirmou que a situação que envolve o presidente Trump mostra a "necessidade de uma maior regulamentação" das grandes empresas de tecnologia em todo o mundo.

"Queremos conciliar o respeito aos direitos fundamentais com uma maior responsabilidade das plataformas sociais", disse o representante lembrando que a União Europeia já está debatendo uma nova legislação comum, chamada de Digital Services Act, que regulamenta o setor, especialmente, as grandes empresas de tecnologia, as chamadas "big techs".

Com a nova legislação, está previsto que as companhias expliquem "de maneira clara quais são as suas regras" e como "moderam os conteúdos" postados por usuários.

A fala do representante corrobora o posicionamento do alto representante para a Política Exterior, Josep Borrell, que alertou que a liberdade de expressão deve ser respeitada e que a regulamentação online não poder ser algo feito apenas pelos entes privados.

Por conta do bloqueio da conta, a Casa Branca está avaliando uma declaração pública de Trump, segundo informou a agência "Bloomberg". Isso porque além do Twitter, todas as grandes redes sociais impuseram bloqueio de contas temporários ao presidente, como o Facebook, Instagram, Google, Pinterest, entre outras.

- Parler afetado:

Após o Google informar no sábado (09) que havia removido o aplicativo Parler de sua loja, durante o fim de semana outras grandes empresas como a Apple e a Amazon informaram que também tomaram a mesma medida.

Todas alegam que a rede social não apresentou uma moderação aos grupos e as postagens dos usuários que planejam fazer uma nova manifestação - alguns, inclusive dizendo que matarão policiais se necessário - antes da posse de Joe Biden como presidente eleito dos EUA.

O Parler é conhecido entre os apoiadores de Trump, conservadores e extremistas de direita nos Estados Unidos e ganhou força após o bloqueio da conta do mandatário norte-americano no Twitter (ANSA).
   

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