Papa lembra genocídio armênio e causa crise com Turquia

Embaixador do Vaticano foi convocado após missa

Papa chama martírio de armênios de 'genocídio' e causa tensão política
Papa chama martírio de armênios de 'genocídio' e causa tensão política (foto: ANSA)
16:39, 12 AbrCIDADE DO VATICANO ZGT

(ANSA) - O papa Francisco celebrou uma missa neste domingo (12) para lembrar os 100 anos do "martírio armênio" (Metz Yeghern) e chamou o ato de "genocídio", causando um problema diplomático com a Turquia.

 

"A nossa humanidade viu no século passado três grandes tragédias: a primeira, aquela que vem comumente lembrada como o primeiro genocídio do século 20, essa atingiu o vosso povo armênio, primeira nação cristã. As outras duas foram perpetradas pelo nazismo e pelo stalinismo e, mais recentemente, os extermínios em massa que ocorreram no Camboja, Ruanda, Burundi e Bósnia. Parece que a humanidade não para de derramar sangue inocente", destacou o Pontífice.

 

Além de falar sobre a morte dos armênios, o sucessor de Bento XVI lembrou que foram assassinados também "muitos católicos sírios e ortodoxos, além de assírios, caldeus e gregos".

 

A cerimônia foi realizada com o patriarca da Igreja da Armênia, Nerses Bedros XIX Tarmouni, com o Supremo Patriarca Católico de Todos os Armênios, Karekin II, e com Aram I, da Grande Casa Cilicia. Além dos religiosos, estava presente o presidente da Armênia, Serj Sargsyan.

 

Após as declarações, o embaixador do Vaticano na Turquia, Antonio Lucibello, foi convocado pelo Ministério das Relações Exteriores de Ancara para dar explicações sobre a fala do Papa, contou à ANSA o próprio núncio. Na conversa, as autoridades turcas quiseram expressar "sua decepção" pelas palavras de Jorge Mario Bergoglio.

 

Horas mais tarde, o representante diplomático da Turquia na Santa Sé também foi convocado como sinal de protesto contra o discurso do Pontífice.

 

O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlut Cavusoglu, afirmou ainda que as palavras de Francisco são "inaceitáveis". Segundo o jornal "Zaman", o titular da pasta disse ainda que as "declarações do Papa não são baseadas em dados históricos e legais".

 

A Turquia se nega a aceitar que o que ocorreu entre os anos de 1915 e 1916 tenha sido um genocídio e combate uma guerra diplomática permanente para que outros países não reconheçam o fato como tal.

 

O massacre ocorrido contra o povo armênio causou a morte de mais de um milhão e meio de pessoas e diversas entidades lutam pelo reconhecimento mundial de um "genocídio. As mortes ocorreram quando o partido chamado de "Jovens Turcos" atacou essa população que pertencia ao Império Otomano. Para muitos historiadores, ele é considerado um "holocausto turco" contra os armênios. http://www.papafrancesconewsapp.com/por (ANSA)

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