Turquia chama de 'calúnia' discurso do Papa

Ancara não descarta novas medidas contra o Vaticano

Papa celebrou missa ao lado de lideranças da Igreja armênia (foto: ANSA)
17:54, 13 AbrROMA e ANCARA ZGT

(ANSA) - O discurso do papa Francisco durante a missa deste domingo (12) continua a causar polêmica entre as autoridades turcas. Nesta segunda-feira (13), a Embaixada do país na Santa Sé emitiu uma nota dizendo que o discurso de Jorge Mario Bergoglio é uma "calúnia".

 

"O genocídio é um conceito jurídico e as reivindicações atuais não satisfazem os pré-requisitos da lei, mesmo que sejam baseadas em uma convicção amplamente difusa, isso é uma calúnia", escreveu em nota a representação diplomática. A mensagem continua dizendo que a fala do Pontífice "contradiz fatos históricos e jurídicos".

 

"Depois de ter ressaltado sua vontade de promover a criação da paz e da amizade entre diversos grupos em todo o mundo desde o dia que foi eleito para o Pontificado, o papa Francisco fez uma discriminação entre o sofrimento, enfatizando só o sofrimento cristão, dos armênios. Com um ponto de vista seletivo, ignorou as tragédias que atingiram o povo turco e muçulmano que perderam suas vidas durante a Primeira Guerra Mundial", destacou a Embaixada.

 

O ministro das Relações Exteriores, Mevlut Cavusoglu, destacou à imprensa local que não descarta "novas medidas" contra o Vaticano.

 

Nesta segunda, durante a missa de Santa Marta, o sucessor de Bento XVI afirmou que a estrada da Igreja é a "franqueza", a "coragem cristã" de "dizer as coisas com liberdade". Sem citar diretamente o imbróglio, o argentino ressaltou os atos dos apóstolos Pedro e João para dizer que um cristão "não pode ficar quieto sobre as coisas que vê e escuta".

 

O Grão-Mufti Mehmet Gormez, principal autoridade islâmica sunita-turca, se aliou ao governo de Ancara e criticou a fala do Pontífice sobre o "genocídio armênio". Para ele, a declaração é "sem fundamento" e inspira "o lobby político e de relações públicas" para um reconhecimento mundial.

 

Já para o ministro das Relações Exteriores da Itália, Paolo Gentiloni, "a dureza do tom dos turcos" sobre a fala do papa Francisco "não me parece justificável, tendo em conta que, há 15 anos, João Paulo II se referiu ao fato de modo análogo".

 

- Papa falou sobre genocídio porque é argentino, diz ministro turco

 

Mais uma autoridade turca se manifestou contra a fala do papa Francisco sobre o "genocídio armênio". Agora, o ministro para os Assuntos Europeus, Volkan Bozkir, afirmou que o Pontífice falou sobre o assunto dessa maneira porque vem da Argentina, um "país que acolheu os nazistas" e no qual a "diáspora armênia é dominante no mundo da imprensa e das Relações Exteriores". 

 

O caso

 

Na celebração pelos 100 anos do "martírio armênio", o Papa afirmou que "no século passado" ocorreram "três grandes tragédias: a primeira, aquela que vem comumente lembrada como o primeiro genocídio do século 20, essa atingiu vosso povo armênio". Continuando sua fala, o líder da Igreja Católica ressaltou que "além dos armênios, muitos católicos sírios e ortodoxos, além de assírios, caldeus e gregos" também foram assassinados.

 

Assim que terminou a celebração, a Turquia convocou o embaixador do Vaticano em Ancara e o seu representante na Santa Sé para mostrar sua desaprovação pela fala de Jorge Bergoglio.

 

O governo turco se nega a aceitar que o que ocorreu entre os anos de 1915 e 1916 tenha sido um genocídio e combate uma guerra diplomática permanente para que outros países não reconheçam o fato como tal.

 

O massacre ocorrido contra o povo armênio causou a morte de mais de um milhão e meio de pessoas e diversas entidades lutam pelo reconhecimento mundial de um "genocídio. As mortes ocorreram quando o partido chamado de "Jovens Turcos" atacou essa população que pertencia ao Império Otomano. Para muitos historiadores, ele é considerado um "holocausto turco" contra os armênios. http://www.papafrancesconewsapp.com/por (ANSA)

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