Em missa da Epifania, Francisco condena 'culto ao poder'

Papa criou nova palavra para falar sobre mensagem de Deus

Em missa da Epifania, Francisco condena 'culto ao poder' (foto: ANSA)
19:08, 06 JanCIDADE DO VATICANO ZGT

(ANSA) - Celebrando a missa da Epifania, quando a Igreja Católica celebra a visita dos Reis Magos ao menino Jesus, o papa Francisco criticou o culto ao poder que existe no mundo.

"Os magos vieram do Oriente para adorar e foram ao lugar próprio de um rei: o palácio. É próprio de um rei nascer em um palácio e ter sua corte e seus súditos. É sinal de poder, de sucesso, de ápice. E se pode acreditar que um rei seja venerado, temido e adulado, sim, mas não necessariamente amado", afirmou o Pontífice no início da homilia desta sexta-feira (6).

Continuando seu raciocínio, Jorge Mario Bergoglio destacou que "esses são os esquemas mundanos, os pequenos ídolos para os quais prestamos culto". "O culto do poder, da aparência e da superioridade. Ídolos que prometem apenas tristeza, escravidão, medo", acrescentou.

Segundo o líder católico, as pessoas assim como ocorreu com os magos, devem perceber que Deus não está nos palácios, mas nas periferias.

Para o Papa, Deus quis nascer "onde ninguém esperava ou até onde nós não queríamos" para mostrar que "sua força e seu poder se chamam misericórdia".

"Herodes não pode adorar porque não quis e porque não quis mudar sua visão, já que acreditava que tudo começava e terminava com ele mesmo. Nem os sacerdotes puderam adorar porque sabiam muito, conheciam as profecias, mas não estavam dispostos a caminhar nem a mudar", disse ainda.

Com sua criatividade e inovação na língua italiana, o sucessor de Bento XVI criou uma nova palavra para explicar a busca dos fiéis por Deus: "nostalgioso".

"O crente 'nostalgioso', movido por sua fé, busca Deus como os magos, nos lugares mais escondidos da história porque sabe em seu coração que Deus o espera ali. Vai na periferia, nas fronteiras, nos lugares não evangelizados para poder encontrar-se sempre com o Senhor. E não o faz com um ar de superioridade. O faz como um pedinte que não pode ignorar que a Boa Nova ainda é uma terra a ser explorada", afirmou ainda. (ANSA)

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