Jornalista revela casos de abusos sexuais na gestão de Francisco

Entre 2013 e 2015, Vaticano recebeu 1,2 mil denúncias

Cardeal George Pell é acusado por livro de Emiliano Fittipaldi
Cardeal George Pell é acusado por livro de Emiliano Fittipaldi (foto: EPA)
16:32, 18 JanROMA ZGT

(ANSA) - Em menos de 24 horas, o Vaticano enfrentará um novo escândalo. O jornalista italiano Emiliano Fittipaldi lançará amanhã (19) o livro "Luxúria", que acusa a Santa Sé de encobrir denúncias de pedofilia e de abusos sexuais recebidas durante os anos de 2013 a 2015, quando o papa Francisco já estava à frente da Igreja Católica.

De acordo com Fittipaldi, o Vaticano recebeu 1,2 mil denúncias de crimes sexuais cometidos por sacerdotes nestes três anos, o que representa o dobro do número de acusações registradas entre 2005 e 2009. Mas pouco foi feito para penalizar os criminosos.

Segundo o livro, apesar do Vaticano dizer que a luta contra os abusos sexuais é uma "prioridade", o número 3 no escalão da Santa Sé, o cardeal australiano George Pell, já foi acusado de pedofilia e ainda acompanha o desenrolar das denúncias que chegam à Santa Sé.

Fittipaldi afirma que Pell, que integra o grupo de nove cardeais formado para reformar a cúria (C9), também deu apoio a um padre acusado de pedofilia e procurado pela Interpol.

De acordo com o jornalista, que foi processado no ano passado pelo Vaticano pelo conteúdo de seu outro livro, "Avareza", que fala das finanças da Santa Sé, afirmou que "o mais difícil é descobrir quem são os 'pecadores', porque o nome dos sacerdotes denunciados fica protegido e quase nenhum é processado ou condenado".

"O livro 'Luxúria' não é uma vingança contra o Vaticano. Escrevi para contar aquilo que ainda está escondido. Escrevi pelas vítimas, porque é justo que alguém pague por isso. Escrevi simplesmente porque sou um jornalista", disse Fittipaldi.

O novo livro também conta que muitos padres e colaboradores próximos a Francisco optaram por esconderem e ocultarem os escândalos para evitar ressarcimentos econômicos às vítimas. (ANSA)

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