Vaticano nega censura em carta de Bento XVI sobre Francisco

Secretaria divulgou documento na íntegra para "dissipar dúvidas"

Vaticano nega censura em carta de Bento XVI sobre Francisco
Vaticano nega censura em carta de Bento XVI sobre Francisco (foto: ANSA)
07:06, 20 MarROMA ZLR

(ANSA) - O Vaticano negou que tenha censurado uma carta do papa emérito Bento XVI sobre seu sucessor, Francisco, na qual ele denuncia a existência de "preconceito" contra o Pontífice argentino por parte daqueles que o consideram um "homem prático, privado de particular formação teológica".

A mensagem teve alguns trechos divulgados na última segunda-feira (12), durante o lançamento de uma série de 11 livros chamada "A Teologia do Papa Francisco", na qual diferentes teólogos tentam mostrar a continuidade entre Joseph Ratzinger e Jorge Mario Bergoglio.

No entanto, o Vaticano foi criticado por não ter divulgado o documento na íntegra e ainda ter escondido um trecho em uma foto de divulgação.

"Foi lido o que era considerado oportuno e relativo à ocasião, principalmente quando o Papa Emérito fala sobre a formação filosófica e teológica do atual Pontífice e a união entre os dois pontificados, deixando de lado anotações relativas a autores da série", disse a Secretaria para as Comunicações da Santa Sé.

Além disso, para "dissipar todas as dúvidas", o dicastério divulgou a carta na íntegra no último fim de semana. No texto, como já se sabia, Bento XVI tenta desfazer as frequentes comparações com seu sucessor.

"Aplaudo essa iniciativa que pretende se opor e reagir ao tolo preconceito pelo qual o papa Francisco seria apenas um homem prático, privado de particular formação teológica ou filosófica, enquanto eu teria sido unicamente um teórico da teologia que pouco entendia da vida concreta de um cristão de hoje", afirmou Ratzinger, acrescentando que Bergoglio é um homem de "profunda formação filosófica e teológica".

Nos trechos que não haviam sido publicados anteriormente, o Papa Emérito admite que, "por razões físicas e compromissos já assumidos", não poderia ler os 11 livros no "futuro próximo".

Além disso, expressa sua "surpresa" pela presença entre os autores do teólogo alemão Peter Hünermann, a quem acusa de ter liderado iniciativas "antipapais". (ANSA)

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