Papa recebe bispos dos EUA para discutir pedofilia

Relatório apontou mais de mil vítimas de abusos no país

Papa recebe líderes episcopais norte-americanos no Vaticano
Papa recebe líderes episcopais norte-americanos no Vaticano (foto: ANSA)
14:45, 13 SetCIDADE DO VATICANO ZLR

(ANSA) - O papa Francisco recebeu nesta quinta-feira (13), no Palácio Episcopal do Vaticano, bispos dos Estados Unidos para discutir os escândalos de pedofilia no país e as acusações de um ex-núncio em Washington contra o Pontífice.

A reunião aconteceu na esteira da divulgação de um relatório do Ministério Público da Pensilvânia que cita cerca de 300 membros da Igreja Católica envolvidos em abusos sexuais contra mais de mil vítimas nos últimos 70 anos.

"Compartilhamos com o papa Francisco nossa situação nos Estados Unidos, como o corpo de Cristo foi dilacerado pelo mal dos abusos sexuais. Foi uma troca longa, frutífera e boa", resumiu o cardeal Daniel DiNardo, arcebispo de Galveston-Houston e presidente da Conferência Episcopal dos EUA.

Também participaram o cardeal Sean Patrick O'Malley, arcebispo de Boston e presidente da Pontifícia Comissão para a Proteção dos Menores; o monsenhor José Horacio Gómez, arcebispo de Los Angeles; e o monsenhor Brian Bransfield, secretário-geral da conferência episcopal norte-americana.

Segundo uma pesquisa divulgada pela "CNN", a imagem de Francisco foi duramente afetada pelos escândalos de pedofilia nos EUA. De janeiro de 2017 a setembro de 2018, sua aprovação entre os norte-americanos caiu de 66% para 48%.

Um dos prelados atingidos pelo relatório da Pensilvânia é o arcebispo de Washington, cardeal Donald Wuerl, que teria acobertado crimes durante seu período na Arquidiocese de Pittsburgh. Ele já teria informado a padres da capital que pretende ir ao Vaticano para entregar sua carta de renúncia.

Recentemente, o arcebispo emérito de Washington, Theodore McCarrick, foi afastado do colégio de cardeais por denúncias de pedofilia contra um adolescente 45 anos atrás e de abusos contra seminaristas adultos.

Segundo o arcebispo italiano Carlo Maria Viganò, ex-núncio na capital norte-americana, Francisco sabia das suspeitas contra McCarrick desde 2013, mas não fez nada para removê-lo. Jorge Bergoglio se nega a comentar os ataques. (ANSA)

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