Vaticano condena empresário por lavagem de dinheiro

Angelo Proietti teria movimentações ilícitas de 9,5 mi de euros

Proietti teve um milhão de euros confiscados.
Proietti teve um milhão de euros confiscados. (foto: EPA)
17:15, 27 DezCIDADE DO VATICANO ZFD

(ANSA) - O Tribunal de Estado da Cidade do Vaticano condenou no último dia 17 de dezembro o empresário italiano Angelo Proietti a dois anos e meio de prisão por lavagem de dinheiro através de uma conta no Instituto para Obras de Religião (IOR), o banco do Vaticano. As informações foram divulgadas nesta quinta-feira (27) pela assessoria de imprensa da Santa Sé. A sentença também determina o confisco de um milhão de euros das contas do empresário, que já estavam retidos pelas autoridades desde 2014.

Esta é a primeira vez que o artigo 421-bis do Código Penal do Vaticano é aplicado. "A investigação que deu origem ao processo é fruto da colaboração entra a Promotoria, a Autoridade de Informações Financeiras (AIF) e a Gendarmaria do Vaticano", destaca a nota.

"A decisão do Tribunal assume uma importância fundamental do ponto de vista do sistema de prevenção da lavagem de dinheiro e combate ao financiamento do terrorismo desenvolvido pelo Estado nos últimos anos", acrescenta o texto.

Proietti, de 63 anos, foi preso por falência fraudulenta em maio de 2016, após uma investigação da Procuradoria de Roma. Ele teria contas pessoais e corporativas no IOR, entre elas a da sua empresa de construção,a Edil Ars, que movimentaram cerca de nove milhões de euros. A empresa tinha contratos de obras do Vaticano, como o Hospital do Menino Jesus, além de trabalhos de restauração e reformas.

O IOR esteve envolvido nos últimos anos em escândalos de lavagem de dinheiro e irregularidades financeiras. A Procuradoria de Roma chegou a acusá-lo de atuar sem autorização na Itália por 40 anos. Segundo o Ministério Público, o instituto funcionava como um "banco comum", sendo que seu estatuto se limita às "obras de religião".

Desde que virou papa, Francisco vem promovendo uma série de reformas na instituição, que incluíram a troca de todo o seu comando. (ANSA)

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