Papa condena 'colonialismos' que causam incêndios na Amazônia

Francisco celebrou a abertura do Sínodo dos bispos neste domingo

Papa condena 'colonialismos' que causam incêndios na Amazônia (foto: ANSA)
23:42, 06 OutCIDADE DO VATICANO ZCC

(ANSA) - Durante a abertura do Sínodo dos Bispos sobre a Amazônia neste domingo (6), o papa Francisco condenou a “ganância dos novos colonialismos” e disse que o fogo ateado por interesses que destroem, como o que atingiu a floresta, não é do Evangelho.

Na cerimônia, o Santo Padre utilizou em seu discurso a metáfora do fogo, defendendo que é necessário o “fogo do amor de Deus”, que “aquece e dá vida”, e não o devorador na região amazônica.

“O fogo causado por interesses destruidores, como o que devastou recentemente a Amazônia, não é o do Evangelho”, explicou o Pontífice, ressaltando que o “fogo devorador acende quando queremos levar adiante apenas nossas próprias ideias, formar nosso próprio grupo e queimar a diversidade para padronizar tudo e todos”.

Francisco fez referência à passagem da Bíblia do Antigo Testamento em que o profeta Moisés tem um diálogo com Deus por meio de um arbusto em chamas e defendeu que a Igreja deve evitar os “novos colonialismos”, porque “quando pessoas e culturas são devoradas sem amor e respeito, não é o fogo de Deus, mas o fogo do mundo”.

“Quantas vezes o presente de Deus não foi oferecido, mas imposto, quantas vezes houve colonização ao invés de evangelização”, admitiu Jorge Bergoglio.

O argentino não citou diretamente nenhum país específico, mas direcionou seu discurso ao número recorde de queimadas registrado na floresta.

“Deus nos proteja da ganância dos novos colonialismos”, pediu perante mais de 200 bispos e cardeais, além de diversos indígenas da região Pan-Amazônica.

Durante as próximas três semanas, sacerdotes do mundo inteiro se reunirão no Vaticano para debater novas formas de evangelizar os povos indígenas e de reforçar a presença da Igreja Católica em uma região com “vertiginoso crescimento” – como definiu o próprio Vaticano no “instrumentum laboris” do Sínodo – das denominações pentecostais.

Além disso, a assembleia de bispos deve produzir um discurso contundente em defesa da natureza, em linha com a encíclica “Louvado seja”, a primeira exclusiva de Francisco e a primeira na história dedicada a temas ambientais.

A cúpula consolidará a imagem do Papa como ativista contra as mudanças climáticas, especialmente por seus efeitos nas periferias do mundo, além de manter os olhos do mundo voltados para a Amazônia.

Nesta manhã, Bergoglio chegou a mencionar um texto escrito por São Paulo, no qual faz uso do verbo “reacender” para defender os “dons recebidos de Deus” e alertar que é papel da Igreja “caminhar junto” com o povo da Amazônia que “carrega cruzes pesadas”.

"Reacender o dom no fogo do Espírito é o oposto de deixar as coisas correrem sem se fazer nada", comentou o Papa, observando que "o fogo não se alimenta sozinho, morre se não for mantido vivo, e se apaga se as cinzas o cobrirem".

Francisco ainda ressaltou que “as cinzas dos medos e a preocupação de defender o status quo” podem sufocar a atitude da Igreja na região da floresta.

Por fim, ele lembrou de todas as pessoas que perderam a vida na Amazônia por ser testemunhas do Evangelho. O Papa aproveitou a passagem para citar o cardeal brasileiro dom Cláudio Hummes – relator do Sínodo – e defender uma visita nos cemitérios das cidades em homenagem aos missionários.

Logo depois, durante o Ângelus, na praça São Pedro, o argentino também pediu para os fiéis rezarem pelo sucesso da cúpula, que é acompanhada com atenção máxima pelo governo brasileiro, que teme interferências do Vaticano em assuntos internos.

A preocupação ocorre em meio à briga comprada pelo presidente Jair Bolsonaro com países europeus por causa do aumento das queimadas na floresta e do esvaziamento dos órgão de proteção ambiental. (ANSA)

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