Bispos exortam Igreja a denunciar extrativismo na Amazônia

Documento cita práticas "predatórias, ilegais e violentas"

Assembleia do Sínodo dos Bispos para a Amazônia, no Vaticano
Assembleia do Sínodo dos Bispos para a Amazônia, no Vaticano (foto: ANSA)
14:42, 08 OutCIDADE DO VATICANO ZLR

(ANSA) - Os bispos que participam do Sínodo da Amazônia, no Vaticano, exortaram a Igreja Católica a "denunciar as distorções de modelos extrativistas predatórios, ilegais e violentos".

É o que diz um resumo das discussões desta terça-feira (8) divulgado pela Sala de Imprensa da Santa Sé. Os trechos revelados pelo Vaticano confirmam que a assembleia episcopal não se limitará a debater temas religiosos e deve produzir um contundente discurso em defesa do meio ambiente e da Terra.

"A Igreja foi exortada a denunciar as distorções de modelos extrativistas predatórios, ilegais e violentos e a apoiar normativas internacionais que tutelam os direitos humanos, sociais e ambientais, porque o grito de dor da terra destruída é o mesmo dos povos que a habitam", diz o comunicado da Santa Sé.

Os bispos também denunciaram que a devastação da Amazônia está ligada a "legislações ambientais frágeis e que não protegem as riquezas e belezas naturais do território".

Mudanças

Durante as sessões desta terça, o Sínodo também discutiu uma proposta para criar uma ordenação diaconal para mulheres na Amazônia, "valorizando sua vocação eclesiástica". A Igreja enfrenta uma carência de padres na região - onde há uma forte presença de denominações pentecostais - e busca formas de garantir que os católicos tenham pleno acesso aos sacramentos.

Uma das soluções discutidas seria a ordenação de homens casados como padres - preferivelmente indígenas -, mas essa ideia encontra oposição no clero.

"Reiterando que o celibato é um grande presente do Espírito Santo à Igreja, alguns padres sinodais pediram que se pense na consagração sacerdotal de homens casados, os chamados 'viri probati'. Para outros, no entanto, tal proposta poderia levar o sacerdote a ser um simples funcionário da missa, e não um pastor da comunidade, um mestre da vida cristã", diz o relatório diário do Sínodo.

A assembleia episcopal termina em 27 de outubro, e o documento conclusivo será elaborado pelo cardeal brasileiro Cláudio Hummes. (ANSA)

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