Papa nomeia novo responsável por sua segurança

Comandante da Gendarmaria renunciou após vazamento de documento

Papa Francisco celebra audiência geral na Praça São Pedro
Papa Francisco celebra audiência geral na Praça São Pedro (foto: ANSA)
09:03, 15 OutCIDADE DO VATICANO ZLR

(ANSA) - O papa Francisco nomeou nesta terça-feira (15) Gianluca Gauzzi Broccoletti, 45 anos, como novo diretor dos Serviços de Segurança e Proteção Civil do Estado da Cidade do Vaticano e comandante do Corpo da Gendarmaria.

Broccoletti, até então vice-diretor e vice-comandante, substitui Domenico Giani, que renunciou ao cargo após ter sido acusado de vazar um documento sigiloso para a imprensa.

Nascido em Gubbio, na província italiana de Perúgia, o novo comandante é formado em engenharia da segurança pela Universidade La Sapienza, em Roma, e está na Gendarmaria do Vaticano desde 1995. Com a promoção, ele passa a ser o principal responsável pela proteção do papa Francisco.

"Ao longo dos anos, [Broccoletti] instaurou uma relação de confiança com as várias secretarias particulares do Santo Padre, as autoridades do Governadorato e a Secretaria de Estado, onde se exige competência e profissionalismo para inquéritos de caráter reservado", diz uma nota do Vaticano.

Escândalo

No início do mês, a revista italiana L'Espresso divulgou um documento assinado por Giani que proíbe o acesso ao Vaticano de cinco dirigentes acusados de irregularidades financeiras.

Quatro deles - Vincenzo Mauriello, Mauro Carlino, Caterina Sansone e Fabrizio Tirabassi - trabalham na Secretaria de Estado. Já o quinto, Tommaso Di Ruzza, é diretor da Autoridade de Informações Financeiras.

Eles são suspeitos de envolvimento em operações financeiras irregulares, incluindo milionárias transações imobiliárias no exterior e a gestão das contas do Óbolo de São Pedro, o sistema de arrecadação de donativos da Igreja Católica.

O documento vazado continha os nomes e as fotos dos funcionários investigados, e sua divulgação irritou o papa Francisco, que comparou o caso a um "pecado mortal" e determinou a abertura de um inquérito para descobrir quem passou a informação à revista.

Um SMS anônimo enviado a funcionários do Vaticano apontou Giani como responsável pelo vazamento. Apesar de negar envolvimento, o então comandante da Gendarmaria acabou renunciando ao cargo.

O caso remete ao escândalo "Vatileaks", que abalou o pontificado de Bento XVI. Na ocasião, o mordomo Paolo Gabriele, que trabalhava para Joseph Ratzinger, repassou à imprensa cartas que denunciavam casos de corrupção na Igreja. (ANSA)

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