Sínodo da Amazônia propõe ordenação de homens casados

Documento final foi aprovado no encerramento do Sínodo

Sínodo da Amazônia propõe ordenação de homens casados
Sínodo da Amazônia propõe ordenação de homens casados (foto: Ansa)
13:18, 27 OutCIDADE DO VATICANO ZBF

(ANSA) - O Sínodo dos Bispos sobre a Amazônia terminou neste sábado (26), no Vaticano, com um documento final que reúne uma série de propostas para a atuação da Igreja Católica na região sul-americana.

Com 120 pontos, o mais polêmico que aparece no documento se refere à ordenação de homens casados para suprir a falta de padres na Amazônia, assim como de mulheres para o diaconato feminino. No documento, os participantes do Sínodo deixaram claro que "apreciam o celibato como um dom de Deus", mas apontaram que seria possível estabelecer critérios para "ordenar sacerdotes homens idôneos e reconhecidos da comunidade, que tenham um diaconato permanente fecundo e recebam formação adequada para o presbiterado, podendo ter família legitimamente constituída e estável".

Isso não significa que, agora, padres possam se casar, mas apenas abre a possibilidade para que homens já casados e com famílias constituídas assumam funções de sacerdócio, como forma de aumentar a presença da Igreja em áreas remotas. "Nas múltiplas consultas realizadas no espaço amazônico, se reconheceu e enfatizou o papel fundamental das religiosas e das mulheres leigas na Igreja da Amazônia e em suas comunidades, dados os múltiplos serviços que prestam. Em grande número dessas consultas, o diaconato permanente foi solicitado para as mulheres", citou também o documento.

Em outro ponto, falou-se sobre a destruição da Amazônia e sobre as "ameaças à vida". "Todos os participantes expressaram uma grande consciência da dramática situação de destruição que afeta a Amazônia. Isso significa o desaparecimento do território e dos seus habitantes, especialmente os povos indígenas. A floresta amazônica é um 'coração biológico' para a terra cada vez mais ameaçada.Ele está em uma corrida desenfreada rumo à morte", ressaltou o texto final.

A questão migratória, os deslocamentos forçados de indígenas e a urbanização da Amazônia também apareceram no documento do Sínodo. "As famílias frequentemente sofrem com pobreza, falta de moradia, falta de trabalho, aumento do consumo de drogas e álcool, discriminação e suicídio infantil", destacou o texto.

Em outro ponto, os participantes do Sínodo se disseram dispostos a ficar ao lado dos "dos povos amazônicos para denunciar os ataques à vida das comunidades indígenas, os projetos que afetam o meio ambiente, a falta de demarcação de seus territórios e o modelo de desenvolvimento econômico depredador".

"O Sínodo quis abrir novos caminhos ao anúncio do Evangelho", disse o papa Francisco neste domingo (27), negando que se trata de um texto político ou ideológico.

O documento final foi votado por 185 prelados e todos os pontos apresentados receberam dois terços dos votos necessários. O texto, agora, passará pela análise do papa Francisco, que convocou o Sínodo para a Amazônia.

Caberá ao Pontífice decidir quais propostas serão adotadas de fato pela Igreja. O Papa também sinalizou que pretende tomar as decisões ainda neste ano. Jorge Mario Bergoglio tem o tema o meio ambiente e da Amazônia como um dos pilares de seu pontificado. (ANSA)

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