Vaticano cria órgão para a Amazônia com liderança brasileira

Conferência Eclesial será presidida por dom Cláudio Hummes

Por ocasião do Sínodo da Amazônia, Papa recebeu indígenas no Vaticano
Por ocasião do Sínodo da Amazônia, Papa recebeu indígenas no Vaticano (foto: ANSA)
13:02, 30 JunCIDADE DO VATICANO ZGT

(ANSA) - O Vaticano anunciou nesta terça-feira (30) a criação da Conferência Episcopal da Amazônia com o objetivo de "ser uma resposta oportuna ao grito dos pobres e da irmã mãe Terra". O grupo será presidido pelo cardeal brasileiro Cláudio Hummes e terá como vice-presidente o vigário apostólico de Puerto Maldonado, no Peru, David Martinez.

O órgão foi criado oficialmente um dia antes, durante uma assembleia realizada de maneira virtual entre os dias 26 e 29 de junho, e quer ser um "instrumento eficaz" para concretizar muitas das propostas emersas do Sínodo especial para a região amazônica, que foi realizado pela Igreja em outubro de 2019.

Segundo nota, publicada pela agência católica "Vatican News", a Conferência quer ser também "uma ponte que anime outras redes e iniciativas eclesiais e socioambientais em níveis continentais e internacionais".

A escolha da data de instituição do novo órgão não é por acaso: o dia 29 de junho é a data em que os católicos celebram a solenidade de São Pedro e São Paulo. E ainda confirma a vocação do novo grupo, de "colocar-se à serviço da Igreja, de sua opção profética e de sua ação missionária".

O "Vatican News" ouviu fontes da Santa Sé que afirmaram que a criação da entidade "é um ato de esperança, unido ao magistério do papa Francisco, que acompanhou todo o processo de maneira muito próxima".

Além disso, os religiosos informam que a Conferência "quer ser uma resposta nesses tempos difíceis e excepcionais para a humanidade, enquanto a pandemia [do novo coronavírus] atinge com força a região pan-amazônica e a realidade de violência, exclusão e morte contra o bioma e os povos que moram ali".

Com a criação do órgão, cumprem-se dois compromissos que emergiram no texto do Sínodo para a Amazônia. A primeira, citada no documento, pede a "criação de um organismo episcopal que promova a sinodalidade entre a Igreja da região pan-amazônica, que ajude a delinear o rosto amazônico da Igreja e que continue no compromisso de encontrar novos caminhos para a missão evangelizadora".

A segunda foi expressa pelo próprio Papa em sua exortação apostólica "Querida Amazônia", em que desejava que os "pastores consagrados, as pessoas consagradas e os fiéis laicos da Amazônia se empenhassem no trabalho pós-Sínodo".

- Comitê Executivo: Além de dom Hummes e do padre Martinez, o comitê executivo do órgão conta com representantes de vários países.

Foram selecionados o vigário apostólico de Pando, na Bolívia, Eugenio Coter, como bispo representante das Conferências episcopais do território amazônico; além dos presidentes dos organismos eclesiais regionais: Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam), Confederação Latino-Americana dos Religiosos (Clar) e Caritas América Latina e Caribe.

Também foram designados os três representantes dos povos originários: Patricia Gualinga, do povo kichwa de Sarayaku, do Equador, Laura Vicuña Pereira, do povo Kariri, do Brasil, e Delio Siticonatzi, do povo Ashaninka (Peru). (ANSA)

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