Ex-secretário de João Paulo II é citado em escândalo de abusos sexuais na Polônia

Cardeal polonês teria ignorado denúncia; Dziwisz nega acusação

Cardeal Stanislaw Dziwisz negou ter recebido cara sobre abusos sexuais
Cardeal Stanislaw Dziwisz negou ter recebido cara sobre abusos sexuais (foto: EPA)
09:55, 16 OutROMA ZGT

(ANSA) - Em mais um episódio do escândalo de abusos sexuais de menores na Polônia, uma vítima dos crimes acusou o histórico secretário do papa João Paulo II, cardeal Stanislaw Dziwisz, de ignorar denúncias feitas por ele.

Piotr Szelag, advogado de Janusz Szymik, vítima por muitos anos do padre Jan Wodniak, afirmou que seu cliente enviou cartas em 2012 para o cardeal que, naquele momento, era bispo da Diocese de Cracóvia, sobre os crimes sofridos por ele entre 1984 e 1989.

"Mesmo que em 2012 ele não tivesse nenhuma obrigação legal como bispo, o cardeal Dziwisz poderia ter denunciado o caso todo ao Vaticano, mas não fez isso", acusou Szelag.

Após a veiculação da entrevista, o cardeal afirmou que "não lembra ter recebido nenhum documento" sobre o caso naquele ano.

Lamentando o "enorme dano causado ao senhor Janusz Szymik", o religioso ainda disse que "episódios do tipo não deveriam jamais acontecer".

"Além disso, depois de ter feito o controle dos registros relativos [ao caso] na Cúria, não apareceu rastro de correspondências de ninguém para mim sobre esse caso", acrescentou Dziwisz. Porém, por ter "vontade de cooperar plenamente" no escândalo, o cardeal informou que quer aprofundar as denúncias e criou uma comissão independente para investigá-las.

As denúncias de pedofilia por parte de sacerdotes na Polônia vêm sendo apresentadas há anos e voltaram a ganhar força no ano passado com a publicação de um documentário sobre os relatos de abusos sexuais. O documentarista Tomasz Sekielski voltou a publicar um filme sobre o tema em maio deste ano.

Por conta disso, o arcebispo de Gniezno, Wojciech Polak, pediu à época que o Vaticano abrisse uma investigação formal sobre as denúncias. (ANSA).
   

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