'Corrupção é uma lepra que mata', diz Papa em vídeo para Am. Latina

Pontífice disse que pandemia agravou problemas sociais

Pontífice disse que pandemia agravou problemas sociais
Pontífice disse que pandemia agravou problemas sociais (foto: ANSA)
16:46, 19 NovVATICANO ZCC

(ANSA) - O papa Francisco enviou nesta quinta-feira (19) uma mensagem para os participantes de um seminário virtual sobre a América Latina na qual analisa os desafios da pandemia vividos pelos latino-americanos e faz um apelo contra a corrupção.

Para o Pontífice, a corrupção, inclusive dentro da Igreja Católica, precisa ser combatida porque é como uma "lepra" que adoece e mata o Evangelho.

"É hora de colocar o traço distintivo daqueles que foram eleitos por seus povos para governa-los a serviço do bem comum e não de o bem comum ser colocado a serviço de seus interesses", pediu.

O apelo foi feito em um vídeo destinado aos participantes do seminário virtual "América Latina: Igreja, Papa Francisco e os cenários da pandemia", promovido pela Pontifícia Comissão para a América Latina (CAL), pela Pontifícia Academia das Ciências Sociais e pelo Conselho Episcopal Latino-americano (CELAM).

"Todos nós conhecemos a dinâmica da corrupção que vai nessa direção. E isto vale também para os homens e mulheres da Igreja, porque os eclesiásticos internos são uma verdadeira lepra", acrescentou o argentino.

Em sua mensagem, Francisco ressaltou que a emergência do novo coronavírus (Sars-CoV-2) não só evidenciou os problemas e as injustiças socioeconômicas já existentes, mas os agravou.

Segundo o religioso, isso é evidente quando se constata que nem todas as pessoas têm os recursos necessários para adotar as medidas essenciais de proteção contra a Covid-19, como um teto para respeitar o distanciamento social, água e produtos sanitários para se higienizar e desinfetar os ambientes, além de um trabalho seguro.

"A pandemia tornou ainda mais visíveis as nossas vulnerabilidades preexistentes", confirmou o Pontífice, citando a degradação do meio ambiente e os incêndios que destruíram diversas regiões, como o Pantanal e a Amazônia.

Diante dos efeitos devastadores da pandemia, o líder da Igreja Católica aproveitou para pedir propostas criativas para aliviar o peso da crise sanitária, sobretudo sobre os mais vulneráveis.

"A pandemia nos mostrou o melhor e o pior dos nossos povos e o melhor e o pior de cada pessoa. Agora, mais do que nunca, é necessário retomar a consciência do nosso pertencimento comum. O vírus nos lembra que o melhor modo de cuidar de nós é cuidar de quem está ao nosso lado", reiterou.

Além disso, Jorge Bergoglio lembrou que a América Latina combate outros males sociais, como a falta de trabalho, terra e trabalho, aos quais se acrescentam a corrupção.

O Santo Padre ainda afirmou que, "diante deste tenebroso panorama, os povos latino-americanos nos ensinam que são povos com alma que souberam enfrentar com coragem as crises e souberam gerar vozes que, clamando no deserto, abriram caminhos para o Senhor".

"Por favor, não deixemos roubar a esperança! O caminho da solidariedade como justiça é a melhor expressão de amor e de proximidade. Destas crises podemos sair melhores", finalizou.  (ANSA)

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