Vaticano enviou 1,4 bilhão de euros para Austrália desde 2014

Valor é investigado por ser enviado durante processo de cardeal

George Pell teve a sentença anulada em condenação por pedofilia
George Pell teve a sentença anulada em condenação por pedofilia (foto: ANSA)
13:47, 23 DezSYDNEY ZGT

(ANSA) - O Vaticano e suas entidades associadas enviaram 1,4 bilhão de euros para a Austrália entre 2014 e 2020, em mais de 400 mil transações, informou nesta quarta-feira (23) a Austrac, a entidade do governo que investiga crimes financeiros.

Os valores transferidos para o país são alvo de investigações porque ocorreram durante o período que o cardeal australiano George Pell respondia judicialmente a um processo por abusos sexuais de menores.

A Polícia Federal quer saber se o montante foi usado com pessoas envolvidas na acusação ou na defesa do religioso.

O jornal "The Australian", citando "diversos expoentes sêniores da Igreja Católica", afirmou que os religiosos ficaram "completamente surpresos com as remessas e que não tinham conhecimento do dinheiro enviado para a igreja australiana".

A publicação dos valores ocorre após uma denúncia feita pela senadora Concetta Fierravanti-Wells, durante uma audiência com a diretora-executiva da Austrac, Nicole Rose. À época da denúncia, em outubro deste ano, dois advogados que atuaram no caso disseram não ter recebido dinheiro do Vaticano e de "não fazerem ideia" de quem recebeu o valor.

Pell é o mais alto membro da Igreja Católica a responder criminalmente por crimes de pedofilia e, quando começou a responder o processo, era prefeito da Secretaria do Vaticano - um dos órgãos mais poderosos dentro da Cúria Romana.

Em dezembro de 2018, o religioso foi condenado a seis anos de prisão pelo abuso sexual de dois menores, que tinham 13 anos na época do crime em 1996. Em agosto do ano seguinte, a Corte de Apelação de Vitória confirmou a condenação por dois votos a um.

Porém, em abril de 2020, a Alta Corte da Austrália - maior instância judicial do país - anulou a sentença por unanimidade. (ANSA).
   

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