Papa faz nova mudança na gestão de imóveis e fundos do Vaticano

Medida ocorre em meio a investigação sobre desvios de fundos

Papa Francisco vem fazendo uma série de alterações nos órgãos econômicos do Vaticano após escândalos
Papa Francisco vem fazendo uma série de alterações nos órgãos econômicos do Vaticano após escândalos (foto: EPA)
10:21, 28 DezCIDADE DO VATICANO ZGT

(ANSA) - O papa Francisco oficializou a transferência da gestão de fundos e imóveis da Secretaria de Estado, incluindo o Óbolo de São Pedro, para a Administração do Patrimônio da Sé Apostólica (Apsa) e reforçou o controle do órgão pela Secretaria para a Economia.

O documento tornado público nesta segunda-feira (28) foi firmado há dois dias e começará a valer a partir de 1º de janeiro de 2021.

"A titularidade dos fundos e das contas bancárias, dos investimentos mobiliários e imobiliários, incluindo a participação em sociedades e fundos de investimento, até agora liderados pela Secretaria de Estado, está transferida para a Administração do Patrimônio da Sé Apostólica que cuidará da sua gestão e administração. Esses serão submetidos a um controle ad hoc por parte da Secretaria para a Economia", diz o motu proprio.

O documento ainda estabelece que a Secretaria para a Economia "de agora em diante, desenvolverá também a função de Secretaria Papal para Matérias Econômicas e Financeiras" e que devem ser transferidas "o quanto antes, não além de 4 de fevereiro, todas as suas disponibilidades líquidas adjacentes em contas correntes e que estão sob cuidado do Instituto para as Obras da Religião ou em contas bancárias do exterior" também para a conta da Apsa.

Para dar mais transparência aos valores, o motu proprio ainda pontua que a gestão dos fundos do Papa deverá ser alvo de um balanço denominado "Fundos Papais", com a abertura de subcontas específicas para o Óbolo de São Pedro, Fundo Discricionário do Santo Padre e para os "Fundos Titulados", que terão um vínculo de destinação que "mantenham suas finalidades".

A Santa Sé ressalta que as mudanças "representam um outro passo importante na reforma da Cúria Romana" e que o orçamento aprovado para 2021 já está dentro da nova formação e divisão de poderes.

Ainda conforme a nota, a comissão criada por Francisco em novembro deste ano para fazer a transferência dos valores vai "continuar a gerir alguns detalhes específicos" até a data final em fevereiro.

"Ela [a reforma] vai reduzir o número de responsáveis econômicos na Santa Sé e concentrará a administração, a gestão e as decisões econômicas e financeiras nos Dicastérios correspondentes ao objetivo. Assim, quer proceder com uma melhor organização da Cúria Romana e com um funcionamento ainda mais especializado da Secretaria de Estado, a qual poderá ajudar com maior liberdade Ele [Papa] e seus Sucessores em questões de maior relevância para o bem da Igreja", acrescenta o comunicado.

Apesar dos critérios técnicos das mudanças, que vem ocorrendo com frequência nos últimos anos, a alteração ocorre em um momento em que o Vaticano investiga o uso de fundos do Óbolo de São Pedro, um sistema que arrecada valores para a caridade da Igreja Católica, na compra de imóveis de luxo em Londres, no Reino Unido.

O pivô do escândalo é o cardeal Angelo Becciu que, entre 2011 e 2018, era o "número 2" da Secretaria de Estado e teria autorizado as transações financeiras milionárias.

Becciu renunciou ao posto e nega as acusações vazadas na imprensa, dizendo que Francisco está sendo "mal orientado". No entanto, pessoas ligadas ao cardeal já foram acusadas formalmente pelos desvios.

O caso é investigado desde 2019 e diversos funcionários do Vaticano foram afastados ou demitidos desde então. (ANSA).
   

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