'Covid não é obra de um Deus implacável', diz Papa em mensagem

Francisco também agradeceu profissionais de saúde em texto

Mensagem de Francisco foi lida pelo cardeal Giovanni Battista Re
Mensagem de Francisco foi lida pelo cardeal Giovanni Battista Re (foto: EPA)
15:35, 01 JanVATICANO ZCC

(ANSA) - Apesar de não presidir as celebrações "Primi Vespri" e não recitar o hino de ação de graças Te Deum nesta quinta-feira (31), por conta de uma crise de dor no nervo ciático, o papa Francisco enviou uma mensagem para ser lida no altar da Cátedra da Basílica Vaticana.

No texto, recitado pelo cardeal Giovanni Battista Re, decano do Colégio de Cardeais, durante a homilia da cerimônia, o Pontífice afirma que a pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2) "não é obra de um Deus cínico e implacável" e agradece pelo ano de 2020, apesar de "parecer forçado".

"Às vezes alguém pergunta: 'qual é o significado de um drama como este?' Mas não devemos ter pressa em responder", diz Francisco. "Aos nossos mais angustiantes 'porquês', nem mesmo Deus responde recorrendo a razões superiores".

Segundo o líder da Igreja Católica, "um Deus que sacrificou seres humanos por um grande plano, mesmo o melhor possível, certamente não é o Deus que nos revelou Jesus Cristo".

"Deus é pai, pai eterno, e se seu filho tornou-se homem, é por imensa compaixão do coração do pai. Deus é pastor e qual pastor daria pelo menos uma ovelha, pensando que, entretanto, lhe restam muitas outras?", questionou. "Não, este Deus cínico e implacável não existe. Este não é o Deus que louvamos e proclamamos Senhor", respondeu o argentino.

A pandemia do novo coronavírus dizimou milhares de vidas em todo o mundo durante o ano de 2020. No dia 27 de março, inclusive, o Papa deu sua bênção extraordinária "Urbi et Orbi" e concedeu indulgência plenária - ou seja, o perdão dos pecados - para os católicos e para toda a humanidade.

"Talvez possamos encontrar um 'sentido' deste drama que é a pandemia, bem como de outros flagelos que atingem a humanidade: o de despertar em nós compaixão e provocar atitudes e gestos de proximidade, cuidado, solidariedade, diálogo", enfatizou o Santo Padre na mensagem.

Francisco ainda fez uma oração de agradecimento pelo ano que está chegando ao fim e "pelas coisas boas que aconteceram durante o lockdown, especialmente em Roma, e em geral, na época da pandemia, que infelizmente ainda não acabou".

De acordo com Jorge Bergoglio, "há muitas pessoas que, sem fazer barulho, tentaram tornar mais suportável o peso do julgamento".

"Com o seu empenho cotidiano, animados pelo amor ao próximo, concretizaram aquelas palavras do hino Te Deum: 'Todos os dias te bendizemos, louvamos o teu nome para sempre'. Porque a bênção e louvor a esse Deus é amor fraternal".

Por fim, o Pontífice fez um novo agradecimento aos profissionais de saúde - médicos, enfermeiros, voluntários -, que estão na linha de frente na luta contra a Covid-19, assim como os padres e religiosos que se empenharam com generosidade e dedicação neste período.

"Esta noite o nosso agradecimento estende-se a quantos se esforçaram todos os dias para dar conta de suas famílias da melhor maneira possível e a quantos se empenham no seu serviço ao bem comum", ressaltou.

O Papa citou ainda os gestores públicos que sabem valorizar todos os bons recursos presentes na cidade e no território, que estão desvinculados dos interesses privados e também do seu partido, porque procuram verdadeiramente o bem de todos, o bem comum, a começar pelos mais desfavorecidos.

Apesar da ausência do religioso, a celebração desta quinta-feira (31) contou com a presença da prefeita de Roma, Virginia Raggi, e dos ministros dos Assuntos Regionais, Francesco Boccia, e do Esporte, Vincenzo Spadafora. (ANSA)

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