Papa confessa tristeza ao ver viagens de férias durante lockdown

Francisco pediu atenção aos mais atingidos pela Covid em 2021

Francisco pediu atenção aos mais atingidos pela Covid em 2021 (foto: ANSA)
10:48, 03 JanCIDADE DO VATICANO ZCC

(ANSA) - O papa Francisco confessou neste domingo (3) estar "entristecido" por ver diversas pessoas pensando no seu bem-estar, nas suas férias, enquanto outros sofrem neste momento em que o mundo inteiro é afetado pela pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2), que já provocou a morte e contaminação de milhares de pessoas.

Durante a oração do ângelus na biblioteca do Palácio Apostólico, com transmissão online, o Pontífice criticou as atitudes egoístas da sociedade e questionou as viagens de férias nos países em confinamento para conter a disseminação da Covid-19.

"Li nos jornais uma coisa que me entristeceu bastante: num país, já não me lembro qual, para fugir do lockdown e fazer férias, saíram, numa tarde, mais de 40 aviões", relatou. "Estas pessoas, que são pessoas boas, não pensaram nos que ficavam em casa, nos problemas econômicos de tantas pessoas que o confinamento deitou por terra, nos doentes?… Só em fazer férias, desfrutar o próprio prazer. Isto me deixou muito triste", acrescentou.

Nos últimos dias, imagens de aglomerações em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil, foram registradas durante as festas de Ano Novo e o período de férias, mesmo com os países adotando medidas restritivas.

Segundo o argentino, a verdade é que "existe a tentação de tomar conta apenas dos seus próprios interesses, continuar a fazer guerra, por exemplo, concentrar-se apenas na questão econômica, viver em busca de apenas satisfazer o próprio prazer".

Apesar de condenar essas atitudes, Jorge Bergoglio fez um apelo para que o ano de 2021 seja marcado pela atenção aos mais necessitados, em particular os atingidos pela pandemia, e cuidado com a natureza.

"Não sabemos o que 2021 nos reservará, mas o que cada um de nós e todos juntos podemos fazer é empenhar-nos um pouco mais para tomar conta uns dos outros e da criação, a nossa casa comum", pediu.

Para ele, "as coisas vão correr melhor na medida em que, com a ajuda de Deus, trabalharmos juntos pelo bem comum, colocando no centro os mais fracos e desfavorecidos".

Por fim, o líder da Igreja Católica enviou uma mensagem aos que começam o novo ano "com maiores dificuldades: os doentes, desempregados, os que vivem situações de opressão e exploração".

"Renovo a todos os meus melhores votos para o ano que acaba de começar. Como cristãos, fujamos da mentalidade fatalista ou mágica", apelou. (ANSA)

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