Eleições argentinas marcam saída do kirchnerismo do poder

Avanços sociais não devem ser interrompidos, no entanto

Eleições argentinas marcam saída do kirchnerismo do poder
Eleições argentinas marcam saída do kirchnerismo do poder (foto: EPA)
14:38, 19 OutSÃO PAULO Por Sarah Germano

(ANSA) - Pela primeira vez desde o começo dos anos 2000, a Argentina vai eleger um presidente que não terá o sobrenome Kirchner. Segundo especialistas, não deve ser apenas o nome que sairá do poder, mas, muito provavelmente, a corrente política trazida por ele, o kirchnerismo, tendo em vista que nenhum dos candidatos é muito adepto do populismo feito por Cristina e, anteriormente, pelo seu marido, Néstor. Nenhum dos concorrentes, no entanto, apresenta uma ruptura total ao modelo.

    A menos de uma semana do pleito que elegerá o novo mandatário, pesquisas apontam um segundo turno entre o governista Daniel Scioli, governador da província de Buenos Aires, e o opositor conservador Mauricio Macri, prefeito da capital argentina.

    O coordenador do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais (IEEI) da Unesp, Luis Fernando Ayerbe, explicou que Scioli "não é o candidato dos sonhos de Cristina" e não representa uma continuidade. Mas, estando dentro do espectro peronista, não deve romper com as conquistas sociais feitas nos anos anteriores.

    De acordo com ele, Scioli é mais paciente e não tem visões radicais, o que contribui para a estabilidade do país. "Ele é como o ex-presidente Carlos Menem, alguém moderado e pragmático", apontou.

    Para o especialista, "ele deve fortalecer suas perspectivas sem isolar o kirchnerismo", ou seja, dando continuidade a um governo de características nacionalista, de caráter distributivo.

    Macri, após criticar o governo de Cristina, tornando-se seu principal opositor nos últimos anos, também não falou em cortar programas sociais. Visto como um liberal, ele começou a elogiar as políticas kirchneristas e, em busca de apoio popular, disse que não acabará com as iniciativas. "Ele é um oposicionista radical que está procurando todo apoio possível", pontuou Ayerbe.

    O especialista, no entanto, destacou que, como fez com a gestão de Buenos Aires, o prefeito pode deixar os programas morrerem aos poucos se não injetar novos recursos. "Ao invés de cancelá-los, deixará que acabem sozinhos".

    A outra opção é o peronista dissidente Sergio Massa. Em terceiro lugar nas pesquisas, ele representa uma oposição mais leve que Macri e pode se beneficiar disso nas urnas. Em um segundo turno, no entanto, seus votos podem seguir para qualquer um dos principais candidatos.

    Em modelo de eleição único no mundo, para se eleger em primeiro turno, Scioli, que está levemente à frente nas sondagens, precisaria conquistar 45% dos votos ou ter 10% a mais do que o segundo colocado na disputa.

    As eleições ocorrem no dia 25 de outubro e, caso seja necessário, o segundo turno será disputado no dia 22
de novembro. Cristina deixa a Presidência no começo de dezembro.

    Esse é o pleito com menos candidaturas desde 1983, com seis candidatos. Também é a primeira vez que nenhuma mulher concorre à Presidência desde 1995.

    Além disso, desde o começo dos anos 1980 não era registrado um pleito onde todos os candidatos são representados por coalizões, o campeão na categoria é Massa, que representa 17 partidos.

    No próximo domingo ainda serão eleitos, pela primeira vez, parlamentares que representarão o país no Mercosul. O Paraguai é a única nação no bloco que elege seus deputados de forma semelhante, direta. (ANSA)

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