Bolívia militariza 3 cidades após série de protestos

Bloqueios nas estradas ocorrem após mudança da data de eleição

Bloqueios nas estradas ocorrem após mudança da data de eleição
Bloqueios nas estradas ocorrem após mudança da data de eleição (foto: EPA)
19:38, 10 AgoLA PAZ ZCC

(ANSA) - O governo interino da Bolívia ordenou nesta segunda-feira (10) a militarização de pelo menos três grandes cidades - La Paz, Cochabamba e Santa Cruz - na tentativa de encerrar os bloqueios nas estradas realizados por grupos opositores.

A medida foi confirmada pelo ministro da Presidência, Yerko Núñez, após a presidente interina Jeanine Añez anunciar as "ações para fortalecer a segurança do país".

"Hoje, as cidades de La Paz, Cochabamba e Santa Cruz acordaram militarizadas, para garantir aos bolivianos, antes de mais nada, a vida e depois a liberdade de movimento", declarou Núñez.

Nos últimos dias, a Confederação dos Trabalhadores Bolivianos (Cob) e militantes apoiadores do ex-presidente Evo Morales (2006-2019) formaram várias barricadas nas estradas para exigir que as eleições sejam realizadas no próximo dia 6 de setembro.

Os atos tiveram início depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu adiar a votação para 18 de outubro, o que foi contestado pelos manifestantes.

Segundo o ministro da Presidência, a militarização foi necessária porque os bloqueios já causaram graves danos e impediram a chegada de oxigênio para hospitais. Às manifestações também se juntaram ao movimento camponês indígena que agora exige a renúncia da presidente interina.

Em seu discurso, Núñez não descartou o uso da força e acrescentou que o objetivo dos protestos é convulsionar o país e provocar um confronto entre os bolivianos.

A mudança na data das eleições por diversas vezes ocorre depois que o pleito foi cancelado em outubro passado, quando Morales se proclamou vencedor no primeiro turno. De acordo com o governo interino, a prorrogação tem sido motivada em decorrência da pandemia do novo coronavírus. A oposição, no entanto, alega que isso é uma forma de tentarem prolongar a permanência no poder.

Na semana passada, Morales, inclusive, denunciou que um "golpe de Estado" está em curso para instalar um governo civil-militar na Bolívia. (ANSA)

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