Brasil se alinha com EUA e fala em 'luta contra terrorismo'

Ataque dos EUA matou general iraniano Qassem Soleimani

Brasil se alinha com EUA e fala em 'luta contra terrorismo'
Brasil se alinha com EUA e fala em 'luta contra terrorismo' (foto: EPA)
14:01, 04 JanSÃO PAULO ZBF

(ANSA) - O Ministério da Relações Exteriores disse, por meio de nota, que o governo brasileiro manifesta seu apoio "à luta contra o flagelo do terrorismo", ao tomar conhecimento das ações conduzidas pelos Estados Unidos no Iraque que levaram à morte do general iraniano Qassem Soleimani.
    A nota diz ainda que o Brasil está "pronto a participar de esforços internacionais que contribuam para evitar uma escalada de conflitos neste momento." O comunicado do Itamaraty foi divulgado um dia após a ação dos Estados Unidos que matou o principal general iraniano, Qassem Soleimani, em um ataque que teve como alvo o seu comboio, nas proximidades do Aeroporto de Bagdá, capital do Iraque. A ação foi ordenada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
    Outras seis pessoas morreram.
    "Ao tomar conhecimento das ações conduzidas pelos EUA nos últimos dias no Iraque, o governo brasileiro manifesta seu apoio à luta contra o flagelo do terrorismo e reitera que essa luta requer a cooperação de toda a comunidade internacional sem que se busque qualquer justificativa ou relativização para o terrorismo", disse o Itamaraty.
    O texto não fez comentários a respeito da morte do general iraniano, mas condenou o ataque à embaixada dos Estados Unidos em Bagdá. "O Brasil condena igualmente os ataques à Embaixada dos EUA em Bagdá, ocorridos nos últimos dias, e apela ao respeito da Convenção de Viena e à integridade dos agentes diplomáticos norte-americanos reconhecidos pelo governo do Iraque presentes naquele país".
    Segundo o Itamaraty, o terrorismo não pode ser considerado um problema restrito ao Oriente Médio. O texto diz ainda que o Brasil não pode "permanecer indiferente a essa ameaça, que afeta inclusive a América do Sul".
    O Itamaraty diz ainda que o governo acompanha com atenção os desdobramentos da ação no Iraque, "inclusive seu impacto sobre os preços do petróleo, e apela uma vez mais para a unidade de todas as nações contra o terrorismo em todas as suas formas".
    O posicionamento do Itamaraty veio após o próprio presidente Jair Bolsonaro adotar uma postura de alinhamento com os EUA durante uma entrevista ao jornalista José Luiz Datena, ao vivo, na televisão. "A nossa posição é a de se aliar a qualquer país do mundo no combate ao terrorismo. Nós sabemos o que em grande parte o Irã representa para os seus vizinhos e para o mundo", declarou Bolsonaro. No entanto, parte da ala militar do governo, como o próprio ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, que se reuniu duas vezes com Bolsonaro ontem (3), tinha pedido que o Brasil adotasse uma posição de neutralidade em meio às tensões no Oriente Médio.
    A avaliação de Heleno é que o Brasil não se beneficia com nada nesse alinhamento, além de correr o risco de se prejudicar comercialmente e diplomaticamente com o Irã e outros países do Oriente Médio. (ANSA)

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