Bolsonaro compartilha vídeo que convoca ato contra Congresso

Políticos reagiram à atitude, vista como uma ameaça à democracia

Bolsonaro compartilha vídeo que convoca ato contra Congresso
Bolsonaro compartilha vídeo que convoca ato contra Congresso (foto: ANSA)
12:09, 26 FevSÃO PAULO ZBF

(ANSA) - O presidente Jair Bolsonaro teria disparado, de seu celular pessoal, um vídeo que convoca eleitores e movimentos de direita para um ato contra o Congresso Nacional agendado para 15 de março.

De acordo com o site "BR Político", o vídeo relembra a facada que Bolsonaro sofreu em 2018, em Juiz de Fora, durante a campanha eleitoral. Com 1 minuto e 40 segundos de duração, o vídeo diz que Bolsonaro "luta por nós" e "desafia os poderosos por nós". "Ele quase morreu por nós. Ele está enfrentando a esquerda corrupta e sanguinária por nós. Ele sofre calúnias e mentiras por fazer o melhor para nós", ressalta o vídeo, referindo-se a Bolsonaro.
    Em seguida, o vídeo faz uma convocação para a manifestação de 15 de março. "Dia 15/3, vamos mostrar a força da família brasileira. Vamos mostrar que apoiamos Bolsonaro e rejeitamos os inimigos do Brasil. Somos, sim, capaz, e temos um presidente trabalhador, incansável, cristão, patriota, justo, incorruptível. Vamos todos nas ruas apoiando Bolsonaro", diz o texto das imagens.

O ato do dia 15 foi marcado após a fala do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, que chamou o Congresso de "chantagista", em uma declaração vazada pelo sistema de som do Palácio do Planalto. Ele defendia que o governo deveria chamar as pessoas às ruas para pressionar os senadores e deputados. Nas redes sociais e pelo WhatsApp, apoiares de Bolsonaro postaram imagens de ataques aos Congresso e de um suposto uso das Forças Armadas para derrubar o Legislativo. E

m seu perfil oficial no Twitter, Bolsonaro não negou ter encaminhado o vídeo. Sem citar explicitamente o caso, o presidente se limitou a dizer que suas mensagens trocadas no WhatsApp são "de cunho pessoal".

"Tenho 35 milhões de seguidores em minhas mídias sociais, com notícias não divulgadas por parte da imprensa tradicional. No Whatsapp, algumas dezenas de amigos onde trocamos mensagens de cunho pessoal. Qualquer ilação fora desse contexto são tentativas rasteiras de tumultuar a República", escreveu.

 

 

A convocatória foi criticada por políticos e militares. O governador de São Paulo, João Doria, disse que "devemos repudiar com veemência qualquer ato que desrespeite as instituições e os pilares democráticos".
   

"O Brasil lutou muito para resgatar sua democracia. Devemos repudiar com veemência qualquer ato que desrespeite as instituições e os pilares democráticos do país. Lamentável o apoio do Presidente Jair Bolsonaro a uma manifestação contra o Congresso Nacional", posicionou-se via Twitter.

 

 

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também reagiu. "A ser verdade, como parece, que o próprio presidente tuitou convocando uma manifestação contra o Congresso (a democracia) estamos com uma crise institucional de consequências gravíssimas. Calar seria concordar. Melhor gritar enquanto se tem voz, mesmo no carnaval, com poucos ouvindo", afirmou.
   

Já o general Santos Cruz disse ser uma "irresponsabilidade confundir o Exército com alguns assuntos temporários de governo, partidos políticos e pessoas". "É usar de má fé, mentir, enganar a população", postou nas redes sociais. (ANSA)

Todos los Derechos Reservados. © Copyright ANSA

archivado en