Pazuello diz que mudança na contagem 'não esconderá mortos'

No entanto, militar afirmou que medida é uma 'proposta'

Pazuello defendeu ação do governo, mas afirmou que medida é apenas uma 'proposta'
Pazuello defendeu ação do governo, mas afirmou que medida é apenas uma 'proposta' (foto: EPA)
16:12, 09 JunSÃO PAULO ZGT

(ANSA) - O ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, defendeu durante uma sessão da comissão externa da Câmara dos Deputados, a mudança proposta pelo governo para notificar as mortes pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2) e disse que nenhuma vítima será "escondida".

"Vamos agora ter metade do mundo dizendo que queremos esconder o óbito, ele é 'inescondível', são registros. É apenas dizer, para que não haja picos que confunda a análise do gestor, coloca os óbitos no dia", defendeu.

Porém, o titular da pasta afirmou que, mesmo estando em desenvolvimento há 20 dias, essa nova plataforma é uma "proposta".

"O que nós queremos propor é que a gente pegue o registro e lance no BI [o novo sistema desenvolvido pelo Ministério] a data do óbito para que o gestor possa ver o que aconteceu naquele dia. Senão, ele começa a achar que caiu no fim de semana porque o pessoal não foi trabalhar, ou porque aumentou na terça-feira porque choveu", disse aos deputados.

Segundo Pazuello, no entanto, se houver a conclusão de que o sistema não for melhor "deixa assim como está". Ainda conforme o general, os dados serão atualizados "24 horas por dia" quando os gestores adicionarem as informações.

No entanto, o ministro interino foi bastante questionado sobre as motivações para a mudança nos dados, sem avisar ninguém sobre as alterações. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, cobrou Pazuello pelo que chamou de "erro de comunicação" entre o governo, Congresso e a sociedade em geral.

Maia sugeriu que o governo poderia ter colocado os dois sistemas em andamento, o antigo e o novo, para que as "pessoas fossem pegando confiança" nos números no novo sistema e exigiu "transparência".

As mudanças promovidas pelo governo de Jair Bolsonaro geraram críticas de diversos setores da sociedade brasileira e até da Organização Mundial da Saúde (OMS). Até mesmo o site da Universidade Johns Hopkins, reconhecido globalmente como a principal plataforma de compilação de dados de todos os países, retirou o Brasil da lista de dados por algumas horas.

No domingo (07), o Ministério chegou a publicar dois balanços com números completamente diferentes e só justificou o erro no dia seguinte.

De acordo com fontes ouvidas por diversos veículos de comunicação, o pedido para alterar o formato do boletim da Covid-19 partiu do próprio presidente, que estaria insatisfeito com os sucessivos anúncios de mais de mil mortes por dia.

Isso porque o boletim contabiliza todas as mortes registradas por coronavírus naquelas 24 horas, mas que poderiam ter ocorrido em outros dias e demoraram a entrar no sistema. Por conta disso, desde a última sexta-feira (05), o governo só informa o número de mortos, curados e contaminados nas últimas 24 horas, sem acrescentar o total de casos no país.

A medida adotada pelo Ministério da Saúde causou diversos movimentos para compilar o dado, como o lançamento de um site que une as informações de todas as secretarias de saúde do país pela entidade de classe que as representam.

Até mesmo o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Câmara dos Deputados anunciaram que, se o governo mantivesse essas informações parciais, lançariam um portal próprio com os dados completos.

Nesta terça, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o governo volte a divulgar os dados como fazia até o dia 4 de junho. A decisão foi tomada para garantir que "os princípios constitucionais da publicidade e transparência e do dever constitucional de executar as ações de vigilância sanitária e epidemiológica em defesa da vida e da saúde". (ANSA)

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