Na ONU, Bolsonaro defende políticas ambientais e ataca Venezuela

Presidente ainda falou sobre pandemia e fez elogios a Trump

Bolsonaro discursou na ONU e defendeu ações do governo na pandemia e nas questões ambientais (foto: EPA)
19:47, 22 SetSÃO PAULO ZGT

(ANSA) - O presidente da República, Jair Bolsonaro, abriu o debate da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira (22), realizada pela primeira vez de maneira virtual por conta da pandemia do novo coronavírus, e defendeu as políticas ambientais adotadas por seu governo.

O discurso começou focando na gestão da pandemia de Covid-19 e ressaltou as decisões "arrojadas" do governo federal no tema, defendendo que sua ideia de que era preciso defender as vidas e os empregos mostrou-se "correta".

"Desde o princípio, alertei, em meu país, que tínhamos dois problemas para resolver, o vírus e o desemprego, e que ambos deveriam ser tratados simultaneamente e com a mesma responsabilidade. [...] Como aconteceu em grande parte do mundo, parcela da imprensa brasileira também politizou o vírus, disseminando o pânico entre a população. Sob o lema 'fique em casa' e 'a economia a gente vê depois', quase trouxeram o caos social ao país", pontuou.

No entanto, ele lamentou a decisão da justiça brasileira de dar aos municípios e estados as decisões finais sobre como gerir melhor a situação. "Ao presidente, coube o envio de recursos e meios a todo o país", ressaltou, pontuando todos os auxílios dados - desde a ajuda emergencial até a ajuda para a compra de equipamentos de saúde, para pequenos e micro empresários.

Bolsonaro ainda ressaltou que a pandemia "trouxe a lição" de que não se pode deixar a produção de insumos "na mãos de poucos" e que o Brasil está disposto a negociar com "qualquer parceiro" que respeite a soberania do país. O presidente ainda defendeu o que chamou de "tratamento precoce da Covid-19", sem que haja nenhuma comprovação científica de que algum deles funcione, e defendeu o uso da hidroxicloroquina.

"A pandemia deixa a grande lição de que não podemos depender apenas de umas poucas nações para a produção de insumos e meios essenciais para nossa sobrevivência. Somente o insumo da produção de hidroxicloroquina sofreu um reajuste de 500% no início da pandemia. Nesta linha, o Brasil está aberto para o desenvolvimento de tecnologia de ponta e inovação, a exemplo da Indústria 4.0, da inteligência artificial, da nanotecnologia e da tecnologia 5G, com quaisquer parceiros que respeitem nossa soberania e prezem pela liberdade e pela proteção de dados", pontuou em uma clara referência à China.

- Políticas ambientais:

A segunda parte do discurso focou nas questões ligadas à agricultura e ao agronegócio e a defesa das ações do governo nas questões ambientais.

"Nosso agronegócio continua pujante e, acima de tudo, possuindo e respeitando a melhor legislação ambiental do planeta. Mesmo assim, somos vítimas de uma das mais brutais campanhas de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal. A Amazônia brasileira é sabidamente riquíssima. Isso explica o apoio de instituições internacionais a essa campanha, escorada em interesses escusos que se unem a associações brasileiras, aproveitadoras e impatrióticas, com o objetivo de prejudicar o governo e o próprio Brasil", acusou como já havia feito em diversos discursos nacionais.

O presidente ainda afirmou que, apesar do Brasil estar entre as 10 maiores economias do mundo, "somos responsáveis por apenas 3% da emissão de carbono" no ambiente. O líder ainda reforçou que o país "alimenta 1 bilhão de pessoas" no mundo e é o "maior produtor mundial de alimentos".

Sobre os incêndios ambientais, que vem batendo recordes mês a mês de acordo com dados do próprio governo federal, Bolsonaro voltou a dizer que a floresta Amazônia e o Pantanal "não permitem a propagação do fogo" por serem úmidas e disse que as áreas de queimadas "são nos mesmos lugares, onde o caboclo e o índio queimam seus roçados".

"Os focos criminosos são combatidos com rigor e determinação. Mantenho minha política de tolerância zero com o crime ambiental. Juntamente com o Congresso Nacional, buscamos a regularização fundiária, visando identificar os autores desses crimes. Lembro que a Região Amazônica é maior que toda a Europa Ocidental. Daí a dificuldade em combater não só os focos de incêndio, mas também a extração ilegal de madeira e a biopirataria", acrescentou.

No entanto, Bolsonaro não mencionou o afrouxamento das regras propostas e aprovadas pelo seu ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que chegou a falar em "passar a boiada".

O mandatário ainda culpou o governo da Venezuela pelo "criminoso derramamento de óleo" no mar em 2019, mesmo que as investigações nunca tenham culpado ninguém pelo crime ambiental.

- Direitos humanos:

Bolsonaro voltou a criticar a Venezuela ao condenar a "ditadura bolivariana" no país vizinho e que o Brasil é "referência internacional" no campo humanitário e nos direitos humanos".

"A Operação Acolhida, encabeçada pelo Ministério da Defesa, recebeu quase 400 mil venezuelanos, deslocados devido à grave crise político-econômica gerada pela ditadura bolivariana. Com a participação de mais de 4 mil militares, a Força-Tarefa Logística Humanitária busca acolher, abrigar e interiorizar as famílias que chegam à fronteira", disse durante o vídeo.

O mandatário ainda reforçou que o país já participou de dezenas de missões internacionais de paz e que duas militares foram "premiadas pela ONU na Missão da Republica Centro-Africana pelo trabalho contra violência sexual".

- Economia:

Bolsonaro abordou ainda questões econômicas, como o acordo entre União Europeia e Mercosul, e da tentativa do Brasil de entrar na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

"Seguimos comprometidos com a conclusão dos acordos comerciais firmados pelo Mercosul com a União Europeia e com a Associação Europeia de Livre Comércio. Esses acordos possuem importantes cláusulas que reforçam nossos compromissos com a proteção ambiental. Em meu governo, o Brasil finalmente abandona uma tradição protecionista e passa a ter, na abertura comercial, ferramenta indispensável de crescimento e transformação", pontuou.

Sobre a OCDE, ele afirmou que o seu governo já adotou "as práticas mundiais mais elevadas em todas as áreas, desde a regulação financeira até os domínios da segurança digital e da proteção ambiental".

- Israel e Trump:

Na parte final do seu discurso, Bolsonaro enalteceu os acordos diplomáticos firmados entre Israel, Bahrein e Emirados Árabes Unidos e a postura de Donald Trump na região.

"Os acordos de paz entre Israel e os Emirados Árabes Unidos, e entre Israel e o Bahrein - três países amigos do Brasil, com os quais ampliamos imensamente nossas relações durante o meu Governo -, constituem excelente notícia", diz.

O mandatário acrescenta que "o Brasil saúda também o Plano de Paz e Prosperidade lançado pelo Presidente Donald Trump, com uma visão promissora para, após mais de sete décadas de esforços, retomar o caminho da tão desejada solução do conflito israelense-palestino".

Ao finalizar, o presidente afirma que a "nova política do Brasil, de aproximação simultânea a Israel e aos países árabes, converge com essas iniciativas, que finalmente acendem uma luz de esperança para aquela região".

"O Brasil é um país cristão e conservador, e tem na família sua base", finalizou. (ANSA).
   

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