Morre brasileiro que participava de testes da vacina de Oxford

Identidade de voluntário não foi revelada

Identidade de voluntário não foi revelada
Identidade de voluntário não foi revelada (foto: ANSA)
16:57, 21 OutSÃO PAULO ZCC

(ANSA) - Um voluntário brasileiro que participava da fase três de testes da vacina da Universidade britânica de Oxford em parceria com a farmacêutica anglo-sueca AstraZeneca contra o novo coronavírus morreu de complicações da Covid-19, informou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nesta quarta-feira (21).

Segundo comunicado, a agência informou ter sido notificada do óbito no último dia 19 de outubro, e disse que o Comitê Internacional de Avaliação de Segurança manterá o estudo.

"Com base nos compromissos de confidencialidade ética previstos no protocolo, as agências reguladoras envolvidas recebem dados parciais referentes à investigação realizada por esse comitê, que sugeriu pelo prosseguimento do estudo. Assim, o processo permanece em avaliação", diz a nota.

Apesar da confirmação da morte, a Anvisa não esclareceu se o voluntário recebeu uma dose da vacina ou de placebo. Além disso, a agência ressaltou que os dados de voluntários são mantidos em sigilo devido aos princípios de confidencialidade do estudo, destacando que "cumpriu, cumpre e cumprirá a sua missão institucional de proteger a saúde da população brasileira".

O responsável pelos testes no Rio de Janeiro, o Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino (Idor), por sua vez, explicou que, "seguindo normas internacionais de pesquisa clínica e respeitando os critérios de confidencialidade dos dados médicos, não pode confirmar publicamente a participação de nenhum voluntário no estudo clínico com a vacina de Oxford".

O Instituto brasileiro ainda informou que "todas as condições médicas registradas foram cuidadosamente avaliadas pelo comitê independente de segurança, pelas equipes de investigadores e autoridades regulatórias locais e internacionais", após a "inclusão de mais de 20 mil participantes nos testes ao redor do mundo".

De acordo com a entidade, até o momento, conforme uma análise rigorosa dos dados colhidos, não há dúvidas com relação à segurança do estudo, no qual 50% dos voluntários recebem o imunizante produzido por Oxford. No Brasil, já foram vacinados aproximadamente 8 mil voluntários.

Uma pesquisa com resultados preliminares da vacina de Oxford (AZD1222), publicado no dia 20 de julho, na revista científica "The Lancet", revelou que os testes em análises não apresentaram efeitos colaterais graves, apenas leves e moderados. 

Nesta tarde, a Astrazeneca confirmou também que os testes da vacina serão mantidos, apesar da morte do brasileiro.

Em comunicado, a multinacional Astrazeneca informou que as avaliações realizadas “não suscitaram qualquer preocupação quanto à continuação do estudo em curso para a experimentação da vacina”.

“Não podemos comentar sobre os casos individuais envolvidos nos testes em curso da vacina de Oxford, cumprindo rigorosamente a regulamentação dos ensaios clínicos, mas podemos confirmar que todos os processos de verificação exigidos são seguidos”, acrescenta a nota.

A farmacêutica anglo-sueca informou que “todos os eventos médicos significativos são cuidadosamente avaliados pelo pesquisadores clínicos do estudo, um comitê de monitoramento independente e autoridades regulatórias”. “Essas avaliações não geraram preocupações em relação ao prosseguimento do estudo em andamento”.

Segundo o portal de notícias “G1”, citando uma nota da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a vítima foi identificada como o ex-aluno João Pedro R. Feitosa, formado em medicina.

“João, acho que poderia nesse pequeno texto lembrar do quão bom médico e aluno exemplar você foi, mas acho que a recordação que vou mencionar a todos aqui será outra. Quero guardar para sempre o quão bom namorado, irmão e amigo você foi. A dor no peito, o vazio e saudade desde que você se foi crescem a cada instante e o que nos dá força nesse momento além do carinho de tantos amigos que você fez na vida é lembrar de como você era”, diz um trecho do texto do Centro Acadêmico Carlos Chagas, da UFRJ. (ANSA)

 

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