Governo inclui Coronavac em plano de vacinação anti-Covid

Programa foi apresentado na manhã desta quarta-feira (16)

Eduardo Pazuello e Jair Bolsonaro em foto de arquivo
Eduardo Pazuello e Jair Bolsonaro em foto de arquivo (foto: EPA)
11:42, 16 DezSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - O governo Bolsonaro incluiu a vacina Coronavac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac e que será produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, no plano nacional de imunização contra a Covid-19, apresentado nesta quarta-feira (16).

O programa de vacinação foi divulgado apenas depois de o governo ter sido cobrado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e se baseia em imunizantes sobre os quais ainda não há contrato assinado, incluindo a própria Coronavac.

Segundo o plano divulgado nesta quarta, o Brasil vai aderir às vacinas de Oxford (produzida e distribuída pela AstraZeneca), da Biontech/Pfizer, do Instituto Butantan, da Moderna, da Janssen e da empresa indiana Bharat Biotech.

Dessas candidatas, o governo tem contrato fechado apenas com a AstraZeneca, que vai transferir tecnologia para a Fiocruz (100,4 milhões de doses até julho e mais 30 milhões por mês no segundo semestre). No entanto, o desenvolvimento da vacina sofreu um atraso devido a problemas na apresentação dos dados preliminares da terceira fase de estudos clínicos e não tem previsão de conclusão.

Além disso, o Brasil receberá 42,5 milhões de doses da Covax Facility, mecanismo multilateral para facilitar a distribuição de vacinas por todo o mundo. A Covax reúne 10 laboratórios, incluindo alguns com os quais o governo brasileiro conta para imunizar sua população, como Moderna e AstraZeneca.

Com as outras empresas citadas na apresentação desta quarta-feira, a gestão Bolsonaro têm no máximo memorandos de entendimento, incluindo a Pfizer (70 milhões de doses). A compra só deve ser efetivada após aval da Anvisa, ao contrário do ocorrido com a AstraZeneca.

Atraso

O governo foi alvo de críticas de especialistas da área da saúde devido à demora na preparação de um plano nacional de imunização e ao atraso nas negociações para compra de vacinas.

Enquanto União Europeia, EUA, Canadá e Japão já garantiram doses suficientes para vacinar suas populações mais de uma vez, o Brasil se sentou com a Pfizer apenas quando ficou claro que sua candidata seria a primeira em uso no Ocidente, tarde demais para garantir lotes ainda para dezembro.

Já o edital de licitação para aquisição de 330 milhões de seringas e agulhas para a campanha de imunização foi publicado apenas nesta quarta-feira. "Não vejo nada de errado no que está acontecendo", disse o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, no evento desta quarta, acrescentando que o país não está "atrasado".

O governo ainda não tem data definida para iniciar a vacinação, mas informou ao STF na última terça (15) que pode começar a campanha cinco dias após a liberação pela Anvisa.

O objetivo da gestão Bolsonaro é concluir a imunização em 16 meses, sendo que os quatro primeiros serão destinados a grupos prioritários, começando por trabalhadores da saúde.

"Se Deus quiser, em breve estaremos na normalidade", disse o presidente da República, que estava sem máscara, assim como Pazuello e outros ministros. (ANSA)

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