Governo de SP deve endurecer medidas para conter Covid

Gestão Doria, no entanto, não fala em instituir lockdown

Enterro de vítima do novo coronavírus no cemitério da Vila Formosa, em São Paulo
Enterro de vítima do novo coronavírus no cemitério da Vila Formosa, em São Paulo (foto: ANSA)
15:47, 10 MarSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - O governo de São Paulo, estado que já está inteiramente na fase vermelha de combate à pandemia do novo coronavírus, deve endurecer nos próximos dias as medidas restritivas para conter a disseminação da Covid-19.

Em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (10), o coordenador do centro de contingência do Palácio dos Bandeirantes, Paulo Menezes, disse que SP enfrenta uma situação de "extrema gravidade" e que já está sendo discutida a necessidade de novas ações restritivas.

"Estamos trabalhando nisso, e acredito que, conforme for necessário, o governador vai anunciar novas medidas se for o caso, e tudo indica que sim, porque vemos um crescimento constante nas internações, nos casos e nos óbitos", declarou Menezes.

A fase vermelha prevê o fechamento de todas as atividades não essenciais, o que não inclui, por exemplo, partidas de futebol e templos religiosos. Segundo o coordenador do centro de contingência, no entanto, possíveis restrições a essas duas atividades estão na pauta sob análise do governo do estado.

Questionado se a postura do presidente Jair Bolsonaro atrapalha a instituição de um lockdown, ou seja, a proibição da circulação sem motivo justificado, o governador João Doria disse que a decisão de não adotar esse regime "não é política". "É uma decisão da ciência, da saúde, da vida", declarou o tucano, negando sofrer pressões.

Em Araraquara, cidade cujo sistema de saúde entrou em colapso por causa da pandemia, um confinamento de 15 dias provocou uma queda significativa nos novos casos de Covid. Em outros países, o lockdown também funcionou como medida extrema e emergencial para reverter situações de colapso hospitalar.

"Eu acho que seria bom pararmos de falar a palavra lockdown. Eu prefiro falar de medidas mais concretas", justificou Menezes. O governo Doria também anunciou a abertura de 338 novos leitos, sendo 167 em UTIs, e marcou para 22 de março o início da vacinação de idosos entre 72 e 74 anos, faixa etária que engloba 730 mil paulistas.

Até o momento, 2,6 milhões de pessoas já foram vacinadas em São Paulo, sendo que 950,4 mil tomaram as duas doses, número que representa pouco mais de 2% da população do estado.

Eficácia contra variantes

O governo de SP também afirmou que um estudo preliminar do Instituto Butantan e da Universidade de São Paulo (USP) indica que a Coronavac pode ser eficaz contra as variantes do Sars-CoV-2 em circulação no Brasil.

Os dados se baseiam em análises laboratoriais de amostras de 35 pessoas vacinadas contra o novo coronavírus, que mostraram que a vacina é capaz de neutralizar as variantes. O estudo completo, com um número maior de participantes, ainda está em curso.

A análise é feita a partir do soro sanguíneo das pessoas imunizadas, cujas amostras são colocadas em um cultivo de células e infectadas com o vírus. O resultado é positivo quando os anticorpos gerados pela vacina conseguem neutralizar o Sars-CoV-2.

A eficácia dos imunizantes contra as variantes, no entanto, só pode ser medida de forma mas precisa por meio da realização de estudos clínicos, ou seja, fora do ambiente controlado de laboratórios. (ANSA)

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