Brasil vive 'catástrofe' por má gestão da pandemia, diz MSF

ONG criticou 'falta de vontade política' de autoridades do país

MSF criticou duramente a 'falta de vontade política' de atacar a pandemia
MSF criticou duramente a 'falta de vontade política' de atacar a pandemia (foto: EPA)
14:48, 15 AbrSÃO PAULO ZGT

(ANSA) - A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) publicou um documento nesta quinta-feira (15) em que classifica que o Brasil está vivendo uma "catástrofe humanitária" por conta de "falha na resposta à Covid-19", criticando as autoridades políticas do país.

"Mais de um ano desde o início da epidemia de Covid-19 no Brasil, ainda não foi colocada em prática por parte do poder público uma resposta efetiva, centralizada e coordenada à doença. A falta de vontade política de reagir de maneira adequada à emergência sanitária está causando a morte de milhares de brasileiros", ressalta o relatório.

A ONG faz ainda um "apelo urgente às autoridades brasileiras para que reconheçam a gravidade da crise e coloquem em marcha uma resposta centralizada e coordenada para impedir que continuem ocorrendo mortes que podem ser evitadas".

"Medidas de saúde pública se transformaram em tema de disputa política no Brasil. A consequência disso é que ações de política pública com fundamento científico são vinculadas a posicionamentos políticos, em vez de estarem associadas à necessidade de proteger indivíduos e suas comunidades da Covid-19", destaca o presidente internacional da MSF, Christos Christou.

Para o líder da ONG, o "governo federal praticamente se recusou a adotar diretrizes de saúde pública de alcance amplo e com base em evidências científicas, deixando às dedicadas equipes médicas a tarefa de cuidar dos mais doentes em unidades de terapia intensiva, tendo que improvisar soluções na falta de disponibilidade de leitos".

"Isto colocou o Brasil em um estado de luto permanente e o sistema de saúde do país à beira do colapso", acrescenta.

Citando os dados da última semana, a organização afirma que o país teve 11% do total de novos casos e 26,2% das mortes causadas pelo coronavírus Sars-CoV-2 no mundo e que 19 das 27 capitais brasileiras tinham 90% de ocupação nas unidades de terapia intensiva (UTIs).

"A devastação que as equipes de MSF testemunharam pela primeira vez no Amazonas se tornou a realidade na maioria do território brasileiro. A falta de planejamento e coordenação entre as autoridades federais de saúde e suas contrapartes nos estados e municípios está tendo consequências de vida ou morte. Não apenas pacientes estão morrendo sem acesso a cuidados de saúde, mas o pessoal médico está exausto e sofrendo graves traumas psicológicos e emocionais devido às condições de trabalho", destacou o coordenador de emergência de MSF no Brasil, Pierre Van Heddegem.

O documento ainda aponta a lenta vacinação anti-Covid no país, que já foi exemplo de imunização para todo o mundo.

"Outro problema do Brasil é o ritmo da vacinação, aquém do que seria desejável. Em 2009, o país conseguiu vacinar 92 milhões de pessoas contra a gripe H1N1 em apenas três meses, enquanto que a velocidade atual é menor. Até agora, cerca de 11% da população recebeu ao menos uma dose da vacina e menos de 4% tomaram a segunda dose. Isto significa que milhões de vidas no Brasil, e também além de suas fronteiras, estão em risco devido às mais de 90 variantes do vírus que estão atualmente em circulação no país, assim como novas variantes que podem surgir", ressalta o texto.

"A recusa em colocar em prática medidas de saúde pública baseadas em evidências científicas resultou na morte prematura de muitas pessoas. A resposta à pandemia precisa urgentemente de um recomeço, baseado em conhecimentos científicos e bem coordenado, para evitar mais mortes desnecessárias e a destruição de um sistema de saúde conceituado e prestigiado", finaliza Christou. (ANSA).
   

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