Haiti prende suspeito de recrutar assassinos de presidente

Médico chegou ao país em junho e tinha 'objetivos políticos'

León Charles anunciou a prisão do principal suspeito de contratar os assassinos do presidente Moise
León Charles anunciou a prisão do principal suspeito de contratar os assassinos do presidente Moise (foto: ANSA)
15:03, 12 JulPORTO PRÍNCIPE ZGT

(ANSA) - A polícia do Haiti anunciou, na noite deste domingo (11), a prisão de um médico de 63 anos acusado de ser o responsável por recrutar os assassinos do presidente Jovenel Moise.

Em uma coletiva de imprensa, o diretor da polícia nacional, Léon Charles, informou que o homem, identificado como Charles Emmanuel Sanon, entrou no Haiti em junho em um avião particular e "tinha fins políticos" no território.

Conforme o depoimento de 18 colombianos presos desde o assassinato, em 7 de julho, Sanon chegou ao Haiti acompanhado de dezenas de cidadãos da Colômbia para fazer sua segurança e não tinha como meta matar Moise.

"Mas, a missão mudou. A missão era deter o presidente da República, mas depois foi matar", acrescentou o chefe policial. Ainda segundo as investigações, depois da chegada do primeiro grupo, mais 22 colombianos chegaram ao Haiti.

Charles informou que, com a prisão dos suspeitos, foi possível verificar que Sanon contratou a equipe que fez a execução e que o grupo tinha 26 membros. A contratação ocorreu por meio de uma empresa de serviços de segurança venezuelana, chamada de CTU, que tem base em Miami, nos Estados Unidos.

"Quando nós, a polícia, conseguimos bloquear esses bandidos que tinham cometido o crime, a primeira pessoa que um deles telefonou foi Sanon. Ele ainda fez contato com outras duas pessoas que consideramos os autores intelectuais do assassinato do presidente Moise", disse Charles, sem citar quem seriam esses suspeitos.

O grupo de criminosos foi preso no dia 9 de julho no perímetro da Embaixada de Taiwan em Porto Príncipe. A representação diplomática deu autorização para a polícia haitiana efetuar as detenções no local.

No mesmo dia, o governo da Colômbia confirmou que ex-militares participaram do assassinato de Moise, ocorrido durante a madrugada dentro da residência do mandatário. A esposa do político, Martine, ficou gravemente ferida no ação, mas conseguiu sobreviver.

Nesta segunda-feira (12), um comitê de especialistas norte-americanos chegou ao Haiti para ajudar nas investigações.

Até o momento, não se sabe as motivações reais do assassinato.

Moise havia sido eleito em 2016 com a promessa de ajudar o país a crescer economicamente após recorrentes crises políticas e sociais e os desastres ambientais sofridos nos últimos anos. No entanto, o governo foi marcado por diversas crises, incluindo uma que chegou a fechar o Parlamento. (ANSA).
   

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