Promotor do Haiti pede indiciamento de premiê por morte de Moise

Henry teria telefonado para um dos principais suspeitos do crime

Para promotor, Henry tem participação no assassinato do presidente
Para promotor, Henry tem participação no assassinato do presidente (foto: EPA)
18:35, 14 SetSÃO PAULO ZGT

(ANSA) - O promotor-geral do Haiti, Bedford Claude, pediu nesta terça-feira (14) o indiciamento do atual premiê, Ariel Henry, por possível participação no assassinato do presidente Jovenel Moise, ocorrido em 7 de julho.

"Há evidências suficientes para processar o sr. Henry e pedir seu indiciamento imediato", escreveu Claude no pedido enviado para o juiz Garry Orelien e que foi repercutido pela mídia do país.

O promotor ainda enviou uma segunda carta para a Administração de Migração pedindo a apreensão do passaporte e o controle para que Henry não fuja do país "por graves presunções no assassinato do presidente da República".

Segundo a investigação liderada por Claude, Henry telefonou várias vezes para Joseph Felix Badio, que trabalhou na unidade anticorrupção do Ministério da Justiça e que as autoridades haitianas acreditam ser o principal mandante e financiador do assassinato de Moise. Ele está foragido até hoje.

Os telefonemas ocorreram às 4h03 e 4h20 do dia 7 de julho, pouco depois do grupo armado ter invadido a casa de Moise, a residência oficial da presidência, e ter mantado o mandatário. A esposa do presidente foi atingida, mas após algumas cirurgias em Miami, nos Estados Unidos, conseguiu sobreviver.

Essa é a primeira vez que Henry é acusado de estar envolvido com o assassinato.

Em 15 de julho, matérias do jornal "El Comercio" e da emissora "El Caracol", ambas da Colômbia, informaram que o antecessor do atual premiê, Claude Joseph, estava envolvido no plano de assassinar Moise.

A princípio, deveria ocorrer o sequestro do então presidente, mas o "plano mudou" e determinou sua morte. Ainda conforme as matérias, a mudança ocorreu dois dias antes do crime. A polícia do Haiti negou a informação.

Henry havia sido escolhido por Moise para ser o sexto premiê de seu mandato, substituindo Joseph. No entanto, como houve o crime, a troca não foi efetuada no dia 9 de julho, mas apenas no dia 20 após um acordo entre os dois políticos. (ANSA).
   

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