Mulher indígena vai presidir Assembleia Constituinte no Chile

Elisa Loncón, 58 anos, foi eleita com ampla maioria

Elisa Loncón foi eleita presidente da Assembleia Constituinte com 96 votos de um total de 155
Elisa Loncón foi eleita presidente da Assembleia Constituinte com 96 votos de um total de 155 (foto: EPA)
13:18, 05 JulSANTIAGO DO CHILE ZLR

(ANSA) - Uma mulher indígena mapuche foi eleita no último domingo (4) como presidente da Assembleia Constituinte do Chile, órgão que vai escrever uma nova Carta Magna para substituir aquela herdada da ditadura militar de Augusto Pinochet.

Elisa Loncón, 58 anos, recebeu 96 votos entre os 155 deputados constituintes, superando o conservador Harry Jürgensen (33); a jornalista independente Patricia Politzer (18), apoiada pela centro-esquerda; e a também indígena Isabel Godoy (cinco).

Professora de inglês, doutora em Ciências Humanas e especialista na língua mapuche, Loncón cumprimentou o país em seu idioma de origem e destacou que chegar à presidência da Constituinte é um "sonho" de seus antepassados.

"É possível refundar o Chile e reconstruir a relação com o povo mapuche", declarou Loncón, falando sobre seu desejo de viver em um "Estado plurinacional e diversificado".

Ela defende que a Constituinte seja "participativa" e anunciou que os órgãos diretivos da assembleia terão membros rotativos para dar espaço a todas as forças políticas.

A Constituição do Chile é a única da América Latina que não reconhece juridicamente os povos aborígenes, dentre os quais o mais numeroso é o mapuche, com cerca de 1,7 milhão de integrantes, o equivalente a quase 10% da população nacional.

"Parabéns a Elisa Loncón por sua eleição como presidenta da Assembleia Constituinte. Desejo sabedoria, prudência e força para guiar a Assembleia rumo a uma boa Constituição", escreveu no Twitter o presidente da República, Sebastián Piñera, de centro-direita.

Dominada pela oposição e por candidatos independentes de esquerda, a Constituinte foi eleita em maio passado e terá um ano para escrever uma nova Carta Magna, com uma possível extensão de três meses. Uma vez definido, o texto será submetido a referendo.

A reforma da Constituição chilena é resultado das manifestações populares de outubro de 2019, que tiveram como estopim um aumento no preço das passagens de metrô na capital Santiago.  (ANSA)

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