Ex-líder das Farc admite plano para matar Juan Manuel Santos

Timochenko disse que plano não foi adiante por 'ética'

Grupo guerrilheiro chegou a pensar em assassinar Juan Manuel Santos
Grupo guerrilheiro chegou a pensar em assassinar Juan Manuel Santos (foto: EPA)
13:43, 12 FevBOGOTÁ ZGT

(ANSA) - O ex-líder do grupo guerrilheiro Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) Rodrigo Londoño "Timochenko" admitiu que havia um plano para assassinar o ex-presidente do país Juan Manuel Santos durante as negociações para um acordo de paz entre as partes. No entanto, a ideia foi descartada por "razões éticas".

"Essa discussão foi realizada, tivemos uma debate sobre um atentado pessoal, o que isso significava e na última decisão Cano [ideólogo e chefe do grupo] disse que isso não seria executado porque não seria ético atuar contra uma pessoa com a qual estávamos dialogando naquele momento", revelou Timochenko durante uma audiência do Juizado Especial para Paz (JEC) em processo que investiga o assassinato do ex-candidato presidencial Alvaro Gómez Hurtado em 1995.

Segundo o atual líder do partido político das Farc, que deixaram de ser uma organização de guerrilheira, não importava quem fosse o presidente, mas sim apenas quem ocupasse o cargo.

Sobre o caso de Gómez, ocorrido em Bogotá, o ex-guerrilheiro disse que a ordem foi dada por conta "da atitude" do político com o grupo e que era "um cobrar de contas, não um ajuste de contas, era cobrar uma atitude política do senhor Gómez". O político e professor foi morto por um tiro ao sair da universidade onde lecionava. O ex-grupo confirmou que foram os autores do assassinato.

Nesta sexta-feira (12), após a repercussão do depoimento, Santos publicou uma nota de resposta onde afirma que não seria "antiético" matá-lo porque o acordo de paz foi firmado durante um período de guerra.

"Eu os adverti que só haveria cessar-fogo quando chegássemos a acordos concretos. E lembro que, especificamente, disse para eles que me matar seria parte das regras do jogo e, obviamente, vice-versa. Por isso, não seria 'antiético', mas agradeço o gesto", disse o Nobel da Paz.

O ex-presidente afirmou que "não foi tão magnânimo" porque autorizou operações militares contra todos os chefes e ex-líderes das Farc, incluindo Cano, antecessor de Timochenko, que foi morto em 2011.

"Contra você [Timochenko], nunca tivemos inteligência suficiente, mas eu tinha autorizado. Eram as regras da guerra, essa abominável guerra que nós terminamos em um bom momento", escreveu ainda.

O acordo de paz foi assinado em 2016 após uma longa guerra interna que matou mais de 220 mil pessoas. (ANSA).
   

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