Morte de manifestantes agrava crise política no Peru

Polícia reprimiu protestos contra destituição de Vizcarra

Protesto contra governo interino em Lima, no Peru
Protesto contra governo interino em Lima, no Peru (foto: EPA)
14:15, 15 NovLIMA ZLR

(ANSA) - Pelo menos dois manifestantes morreram em confrontos com a polícia durante protestos neste sábado (14), em Lima, contra a destituição do presidente do Peru, Martín Vizcarra, pelo Congresso.

A repressão nas ruas da capital peruana também deixou 94 feridos. Um dos mortos é Inti Sotelo Camargo, 24 anos, estudante de hotelaria e turismo que faleceu em um pronto-socorro de Lima. O pai da vítima afirmou que o corpo tinha quatro marcas de tiros.

"Merino, essas são as consequências do que você faz. Esses congressistas não têm sangue na cara", disse, referindo-se ao presidente interino Manuel Merino, que era líder do Congresso e assumiu o lugar de Vizcarra após sua destituição. O outro morto também é um jovem estudante, mas sua identidade não foi divulgada.

"Lamento profundamente as mortes ocorridas por causa da repressão feita por esse governo ilegal e ilegítimo. Minhas condolências aos familiares desses heróis civis que, exercendo seu direito, saíram em defesa da democracia e em busca de um país melhor", escreveu Vizcarra no Twitter.

O ex-presidente sofreu impeachment em 10 de novembro, graças aos votos de 105 dos 130 deputados peruanos, que alegaram "incapacidade moral" de Vizcarra por supostos subornos recebidos quando ele era governador de Moquegua, em 2011.

O então mandatário, que conta com grande apoio popular, negou ter recebido propina e disse que as acusações não encontram respaldo na Justiça e no Ministério Público. Em setembro passado, Vizcarra já havia escapado de uma primeira tentativa de impeachment.

Após a morte de dois manifestantes, 13 dos 18 ministros do governo Merino entregaram seus cargos. Já o novo chefe do Congresso, Luis Valdez, pede a renúncia imediata do presidente interino. O Peru terá eleições gerais em abril do ano que vem. (ANSA)

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