Guaidó anuncia apoio das Forças Armadas para derrubar Maduro

Juan Guaidó discursa para manifestantes em Caracas (foto: EPA)
16:17, 30 AbrSÃO PAULO ZBF

(ANSA) - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, negou hoje (30) que tenha perdido o apoio das Forças Armadas do país, conforme anunciara pela manhã o opositor e autodeclarado presidente Juan Guaidó.

“Nervos de Aço! Conversei com os comandantes de todas as REDI (Regiões de Defesa Nacional) e ZODI (Zonas de Defesa Integral) do país, que me manifestaram sua total lealdade ao povo, à Constituição e à Pátria. Convoco a máxima mobilização popular para assegurar a paz. Venceremos”, escreveu Maduro em seu perfil no Twitter.

Foi o primeiro pronunciamento de Maduro desde que Guaidó divulgou um vídeo nas redes sociais anunciando que as Forças Armadas tinham se aliado à oposição, abandonando o regime.

O deputado opositor Juan Guaidó tinha publicado pela manhã um vídeo nas redes sociais no qual anunciou que as Forças Armadas estavam ao seu lado para derrubar o governo de Nicolás Maduro. Nas imagens, Guaidó disse que "soldados valentes" atenderam ao chamado e "tomaram a decisão correta". Ele também fez um apelo para que civis venezuelanos saíssem às ruas contra Maduro para instalar um novo governo. "Povo da Venezuela, começou o fim da usurpação. Neste momento, me encontro com as principais unidades militares das nossas Forças Armadas dando início à fase final da 'Operação Liberdade'", anunciou Guaidó.

"As Foças Armadas tomaram a decisão correta, contam com o apoio do povo da Venezuela, com o aval da nossa Constituição, com a garantia de estar ao lado correto da história", ressaltou o opositor em publicações na sua conta no Twitter.

O apelo de Guaidó coincide com a libertação de outro líder da oposição, Leopoldo López, em Caracas, onde cumpria pena de prisão domiciliar. Os dois se reuniram em uma base militar próxima à capital e manifestantes começaram a se dirigir ao local. Durante confrontos, as tropas chavistas chegaram a lançar veículos blindados contra civis.

Ainda não se sabe quantos militares nem quais alas das Forças Armadas da Venezuela estariam apoiando a oposição. Guaidó se autodeclarou presidente interino da Venezuela em janeiro, durante uma série de manifestações populares contra Maduro, e recebeu o apoio de dezenas de países, como Estados Unidos, União Europeia e Brasil.

No entanto, Maduro continuou no pode graças ao respaldo das Forças Armadas e de nações como a Rússia e a China.

Forças Armadas

O governo Maduro reagiu às declarações de hoje de Guaidó definindo-as como uma "tentativa de golpe". "Informamos o povo da Venezuela que, neste momento, estamos enfrentando e neutralizando um reduzido grupo de militares traidores que ocuparam o Distribuidor Altamira (principal acesso a Caracas) para promover um golpe de Estado contra a Constituição e a paz da República", afirmou, via Twitter, o ministro da Comunicação da Venezuela, Jorge Rodriguez.

 

 

Já o ministro da Defesa e comandante das Forças Armadas da Venezuela (FANB), Vladimir Padrino, garantiu  que a situação a Venezuela está sob “controle”, logo depois da oposição anunciar que os militares do país abandonaram Nicolás Maduro.

“A FANB se mantém firme na defesa da Constituição Nacional e suas autoridades legítimas. Todas as unidades militares das oito Regiões de Defesa Integral reportam normalidade em seus quarteis e bases militares, sob ordem dos seus comandantes naturais”, escreveu Padrino em seu perfil no Twitter.

O ministro também disse que as Forças Armadas rechaçam “esse movimento golpista que pretende levar violência ao país”.“Os ‘pseudolíderes’ políticos que se colocaram diante deste movimento subversivo usam tropas e policiais com armas de guerra em uma via pública da cidade [Caracas] para criar tumulto e terror”, criticou Padrino, chamando os opositores de “covardes”. “Leais sempre, traidores nunca!”, escreveu.

Brasil

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, disse hoje que o governo espera que os militares “apoiem a transição democrática” na Venezuela.

Em uma coletiva de imprensa em Brasília, ao lado do ministro do Exterior da Alemanha, Heiko Maas, o chanceler afirmou que o governo está acompanhando “minuto a minuto” a situação na Venezuela, mas considera “positivo que haja um movimento de militares que reconhecem a constitucionalista” do opositor e autoproclamado presidente Juan Guaidó.

“O que está acontecendo hoje temos que acompanhar minuto a minuto. Mas a nossa posição de base continua sendo de apoio ao presidente encarregado, Guaidó”, disse. De acordo com Araújo, também é preciso “avaliar” a “dimensão do que está ocorrendo”.

“O Brasil, evidentemente, desde o começo, apoia a transição democrática e espera que os militares façam parte dessa transição”, concluiu. (ANSA)

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