Maduro anuncia retomada de diálogo com oposição venezuelana

Conversas ocorrem em momento de reaproximação com EUA

Maduro foi procurado pelos EUA por conta do petróleo venezuelano
Maduro foi procurado pelos EUA por conta do petróleo venezuelano (foto: EPA)
16:43, 08 MarCARACAS ZGT

(ANSA) - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou que vai retomar o processo de diálogo com a oposição política do país iniciado no ano passado no México com a intermediação da Noruega.

As conversas foram suspensas em outubro do ano passado por conta do protesto de Caracas pela extradição do empresário e enviado especial do governo Alex Saab da Colômbia para os Estados Unidos. Um memorando de entendimento entre as partes até chegou a ser firmado, mas tudo ficou suspenso desde então.

A retomada ocorre em um momento que Washington se reaproxima de Maduro por conta da invasão da Rússia na Ucrânia e, um dos efeitos colaterais, é o fornecimento de petróleo para o país.

Segundo diversas matérias com fontes do governo norte-americano, há a possibilidade de redução dos embargos e punições aos venezuelanos para que o país volte a fornecer o combustível fóssil neste momento.

"Se nós estamos pedindo o diálogo [entre Ucrânia e Rússia] por um grave problema que está acontecendo no mundo, nós precisamos dar o exemplo. Estamos começando um caminho de diálogo mais inclusivo, mais completo e mais amplo, que seja para todos os venezuelanos que querem fazer o nosso país avançar e que dê todas as garantias políticas também para futuros processos de diálogo que teremos nos próximos anos", disse Maduro em pronunciamento na televisão.

O mandatário ainda confirmou que recebeu uma delegação norte-americana em Caracas sem dar detalhes mais profundos das conversas, mas que elas foram "respeitosas, cordiais e muito diplomáticas".

Maduro, que tem a Rússia como principal aliado, ainda anunciou que o seu governo tem a intenção de adotar medidas diplomáticas para o conflito no leste europeu.

"Nós decidimos ativar uma ação, de maneira discreta, influente e moral, para que diversos cenários do mundo possam ser trabalhados para verdadeiros acordos de paz e para reduzir o conflito armado na Ucrânia", acrescentou.

Conforme o mandatário, análises políticas e militares venezuelanas fazem com que o governo "deseje a paz" porque "estamos seriamente preocupados com a possibilidade de uma guerra na Europa e de uma extensão do confronto armado para outras regiões do mundo".

"Estamos em um momento muito perigoso e o alto comando político e militar da Venezuela decidiu aumentar o som do alerta aos povos e aos líderes do mundo para buscarem a paz e buscarem condições que permitam acordos verdadeiros. Desejamos que o conflito militar não se intensifique, que os corredores humanitários sejam respeitados para proteger a população civil e que antes ou depois se chegue a uma redução de tensões", afirmou ainda. (ANSA).
   

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