Grupo neonazista vandaliza memorial de Pasolini

Extremistas deixaram faixas chamando o cineasta de "pedófilo"

Pier Paolo Pasolini durante uma partida de futebol beneficente
Pier Paolo Pasolini durante uma partida de futebol beneficente (foto: ANSA/OLDPIX)
19:48, 31 MarROMA ZLR

(ANSA) - O grupo neonazista romano Militia vandalizou um monumento em homenagem ao poeta, escritor e cineasta italiano Pier Paolo Pasolini (1922-1975) na cidade de Ostia, no exato local onde o corpo do intelectual fora encontrado.

 

Os extremistas depredaram parte do memorial, quebraram as placas de mármore com trechos de poesias de Pasolini e os painéis de vidro com passagens biográficas e deixaram faixas com os dizeres: "E que poeta e mestre: bicha e pedófilo. Ele era isso! Militia".

 

 

"É um fato de particular gravidade, organizado por pessoas que pregam e praticam a violência e não se intimidam nem mesmo por pacíficos testemunhos da memória", declarou Fulvio Mamone Capria, presidente da Liga Italiana para a Proteção dos Pássaros (Lipu), que possui uma unidade ao lado do monumento.

 

Alguns de seus voluntários foram os primeiros a ver o resultado do vandalismo e logo chamaram a polícia. "Podem destruir sua lápide, mas não conseguirão jamais apagar a extraordinária história de um grande intelectual italiano", escreveu no Twitter o candidato a prefeito de Roma Roberto Giachetti.

 

Pasolini foi encontrado morto no dia 2 de novembro de 1975, em Ostia, a poucos quilômetros da capital italiana, após ter sido espancado e atropelado várias vezes. O único condenado pelo crime é o ex-garoto de programa Giuseppe Pelosi - então menor de idade -, que já cumpriu sua pena de nove anos e sete meses de prisão.

 

Na época, ele disse que matara o cineasta durante um encontro sexual frustrado, mas depois mudou sua versão e se eximiu de qualquer culpa, afirmando que Pasolini fora assassinado por outras pessoas. No entanto, Pelosi nunca deu nenhuma pista que permitisse a identificação dos supostos criminosos.

 

Em fevereiro de 2015, a Procuradoria de Roma arquivou por falta de provas um inquérito que investigava a participação de outros indivíduos no homicídio. A família do diretor acredita que ele, um comunista convicto, tenha sido morto por motivos políticos. (ANSA)

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