Clássico de Bernardo Bertolucci, '1900' faz 40 anos

Em entrevista, cineasta fala sobre filme e Pier Paolo Pasolini

Em entrevista, Bernardo Bertolucci fala sobre filme e Pier Paolo Pasolini
Em entrevista, Bernardo Bertolucci fala sobre filme e Pier Paolo Pasolini (foto: ANSA)
20:44, 07 JunROMA ZAR

(ANSA) - O filme "1900", um das obras mais famosas e conhecidas do cineasta italiano Bernardo Bertolucci, completa 40 anos em 2016 e ainda surpreende pela sua qualidade, que foi percebida já no Festival Internacional de Cinema de Cannes de 1976, onde o longa foi exibido em uma das suas primeiras vezes.

 

Por isso, o jornal italiano "La Repubblica" realizou uma entrevista com o diretor de cinema sobre os 40 anos da película que estrela os, até então, jovens Robert De Niro e Gerard Depardieu.

 

A coprodução com França e Alemanha demandou três anos de trabalho e cinco horas de filme que contam com maestria quase meio século da história da Itália entre lutas de classes e o nascimento de termos como comunismo e fascismo.

 

"Partimos de uma ideia simples. Em '1990', nascem duas crianças, o filho dos patrões e o dos camponeses. [Os dois] se chamam Alfredo [De Niro] em homenagem [à ópera] 'La Traviata', e Olmo [Departieu], em homenagem às árvores cortadas nessa época por uma grave doença", disse Bertolucci à publicação.

 

O filme tem início com a morte do compositor Giuseppe Verdi, 1901, e foi concebido como uma obra de dois atos, o que o fez ser dividido em duas partes nos cinemas da Itália, da França e de outros países da Europa.

 

A história do longa se passa de 1900 até 1945, exatamente no dia 25 de abril, o dia da liberação italiana contra o fascismo, e dedica boa parte à infância dos dois garotos, que vão aos poucos crescendo e sendo influenciados por pólos políticos e ideológicos opostos.

 

"Quando eu concebi esse filme pensava que seria uma grande ponte entre a União Soviética e os Estados Unidos. Logo, o êxito de "O Último Tango de Paris" acabava de se intensificar, mas com alguma caída na megalomania. Pensei que eu podia fazer o que queria, pensava que o cinema podia mudar o mundo", afirmou o cineasta.

 

O italiano também disse que "queria um ator soviético para ser o Olmo", mas que descartou a ideia por que não queria "entregar o meu roteiro para os russos e me decidi para o jovem Depardieu".

 

Já para o papel de Alfredo, o cineasta contou que foi para "Los Angeles, me reuni com De Niro e Harvey Keitel e escolhi 'Bob' por que tinha um aspecto burguês", contou ao site.

 

O responsável por "O Último Imperador" e "Os Sonhadores" ainda explicou que sua "obra-prima" foi uma resposta ao pessimismo antropológico de seu colega cineasta e escritor Pier Paolo Pasolini.

 

"Pasolini com seus ensaios contava a transformação sociológica e cultural da Itália de um país camponês ao consumista. Eu queria lhe mostrar que essa inocência campesina que ele considerava desaparecida ainda existia. Que os camponeses emilianos [da região da Emília Romana] conseguiram preservar, graças ao socialismo, sua identidade cultural", explicou Bertolucci. (ANSA)

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