Rafael Sanzio morreu de pneumonia agravada por erro médico, diz estudo

Nova teoria vem à tona após 500 anos do falecimento do artista

Mostra dedicada ao italiano Rafael Sanzio
Mostra dedicada ao italiano Rafael Sanzio (foto: Ansa)
19:41, 16 JulMILÃO ZCC

(ANSA) - Um estudo realizado pela Universidade de Milão-Bicocca revelou nesta quinta-feira (16) que Rafael Sanzio (1483-1520), um dos principais ícones do Renascimento italiano, morreu após ser atingido por uma pneumonia agravada por um erro médico.

A nova teoria vem à tona 500 anos depois e é a mais recente reconstrução da misteriosa morte do artista, publicada na Internal and Emergency Medicine, revista da Sociedade Italiana de Medicina Interna.

A análise é baseada em evidências diretas e indiretas da época e exclui outros diagnósticos, entre eles malária, febre tifoide e sífilis, como causas da morte.

Desta forma, a pesquisa chegou à conclusão de que a prática de sangria - terapia que estabelece a retirada de sangue do paciente como tratamento de doenças - provocou o falecimento de Rafael, que teria enfraquecido ainda mais quando foi acometido por uma febre alta.

Para encontrar uma solução para o mistério, os pesquisadores compararam as informações contidas no livro "Le Vite", de Giorgio Vasari, que tem testemunhos de figuras históricas com ligação ao pintor e presentes em Roma na época em que Rafael viveu, como é o caso de Alfonso Paolucci, embaixador do duque de Ferrara, Alfonso I d'Este (1476-1534).

O estudo ainda utilizou alguns documentos redescobertos no século 19 pelo historiador de arte Giuseppe Campori. "O curso da doença combinado com outros sintomas nos levaria a pensar em uma forma de pneumonia", explica Michele Augusto Riva, pesquisador de história da medicina da Universidade de Milão-Bicocca.

"Não podemos dizer com certeza nem hipotetizar se era de origem bacteriana ou viral como a atual Covid-19, mas entre as várias causas, é a que mais corresponde ao que nos dizem: um curso agudo, mas não imediato, a falta de perda de consciência, ausência de sintomas gastrointestinais e febre contínua", acrescentou o estudioso.

Para piorar o quadro clínico, segundo Riva, também pode ter existido um erro médico, com a prática de sangramento, que não é recomendada em caso de febre pulmonar.

"Vasari nos diz que o pintor escondeu dos médicos que muitas vezes saía nas noites anteriores devido a casos amorosos. Não conhecendo a conduta do paciente e não conseguindo enquadrar melhor a origem da febre, os médicos teriam errado ao insistir com a sangria", especulou o pesquisador italiano. (ANSA)

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