Filme de Sorrentino 'A Mão de Deus' é ovacionado em Veneza

Produção revive juventude do cineasta durante a 'era Maradona'

A produção revive a juventude de Sorrentino durante a "era Maradona" (foto: ANSA)
17:07, 02 SetVENEZA ZCC

(ANSA) - O filme "A Mão de Deus", do cineasta italiano Paolo Sorrentino, estreou nesta quinta-feira (2) no segundo dia da 78ª edição do Festival de Veneza, que acontecerá até o próximo dia 11 de setembro, e foi aplaudido por nove minutos.

A produção, uma das cinco italianas em disputa pelo Leão de Ouro, foi ovacionada e muito elogiada pela crítica, assim como "The Card Counter", de Paul Schrader, outro competidor extremamente aguardado.

Além de Sorrentino, que ficou visivelmente emocionado, o diretor italiano Marco Bellocchio também estava presente na sala de exibição.

Com Filippo Scotti, Toni Servillo, Teresa Saponangelo, Marlon Joubert, Luisa Ranieri, Renato Carpentieri, Massimiliano Gallo, a produção de Sorrentino para a Netflix revive sua juventude em Nápoles durante a "era Maradona", em uma obra declaradamente pessoal e autobiográfica.

O longa narra a história de Fabietto Schisa, de 17 anos, um menino desajeitado que encontra alegria em uma família extraordinária que ama a vida, até que alguns eventos mudam tudo. Um deles é a chegada a Nápoles do ídolo do futebol da década de 1980, Diego Maradona. Já o outro é um acidente dramático que fará Fabietto atingir o fundo do poço, mostrando-lhe o caminho para o seu futuro.

O nome do filme, "Mão de Deus", é uma referência ao famoso gol do craque argentino na partida contra a Inglaterra, na Copa do México, em 1986. Na abertura, inclusive, Sorrentino cita uma frase de Maradona, seguida de um aposto provocativo: "O melhor jogador de todos os tempos".

"É uma metáfora bela e emblemática. É um título que remete ao acaso ou ao divino, acredito no poder semidivino de Maradona", disse Sorrentino que, quando menino, só para ver o jogo do Napoli, não foi com seus pais em um habitual fim de semana nas montanhas de Roccaraso, onde morreram devido a um vazamento de gás.

"Eu fiz 50 anos, e todo aquele amor vivido e toda aquela dor poderiam ser diminuídos em uma história cinematográfica. Em suma, senti-me com idade ou maturidade para enfrentar isso. Durante anos fiz um monólogo interior com o passado, bloqueei as memórias, o filme, claro, é uma tentativa de libertação, se der certo eu vou descobrir com o tempo", contou o diretor à ANSA.

O filme será lançado em cinemas selecionados na Itália em 24 de novembro e na Netflix em 15 de dezembro de 2021.

Já a produção de Schrader, batizada de "O colecionador de cartas" traz Oscar Isaac no papel de William Tell, um ex-militar que participou da operação na famigerada prisão de Abu Ghraib, onde iraquianos foram torturados por soldados americanos, e que agora vive profissionalmente de jogos de azar.

 Fora da competição oficial, Daniel Geller e Dayna Goldfine falam sobre um dos maiores compositores americanos no documentário "Hallelujah: Leonard Cohen, a Journey, a Song". Em Orizzonti, o realizador e videoartista Yuri Ancarani compete com a Veneza secreta dos adolescentes contada em Atlantide.

O segundo dia do Festival de Veneza também contou com a exibição de "The Power of Dog", de Jane Campion, que volta a disputar o Leão de Ouro 21 anos depois da última vez em que competiu no Lido.

Adaptação do romance homônimo de Thomas Savage, o filme -mais um da Netflix - é estrelado por Benedict Cumberbatch e Kirsten Dunst e conta uma história de isolamento e a necessidade de amor em que enfrentam. (ANSA)

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