Com falas polêmicas, Bergoglio completa 2 anos como Papa

Em 2015, Pontífice enfrentará discussões sobre família

Francisco terá de enfrentar ala conservadora do Vaticano em questões relacionadas à família (foto: EPA)
21:29, 12 MarSÃO PAULO Beatriz Farrugia

(ANSA) - O papa Francisco dá início nesta sexta-feira (13) ao seu segundo ano à frente da Igreja Católica, o qual pode se tornar a fase mais intensa de declarações polêmicas sobre divórcio, casamento gay e aborto.
    Jorge Mario Bergoglio, que desde seu primeiro discurso como Papa, em 13 de março de 2013, atraiu os holofotes da imprensa mundial ao pedir para os fiéis "rezarem por ele", se prepara para conduzir em outubro o Sínodo dos Bispos sobre a Família.
    A conferência discutirá temas sensíveis à sociedade, como matrimônio e trabalho, e desenhará posições a serem tomadas pela Igreja Católica nos próximos tempos.
    As vertentes dos principais assuntos já começaram a ser analisadas por bispos de todo o mundo em meados de 2014, no Vaticano. Essas reuniões, no entanto, expuseram as desavenças entre conservadores e progressistas em debates calorosos sobre a possibilidade do clero se abrir aos divorciados e aos casais do mesmo sexo.
    Apesar disso, o texto final das reuniões preparatórias pediu para o Sínodo de 2015 "recomeçar do zero" a "reviravolta pastoral" iniciada por Francisco.
    De acordo com o teólogo brasileiro Frei Betto, Bergoglio promoveu mudanças significativas na Cúria Romana e nas questões familiares durante seus dois primeiros anos como Papa.
    "Ele tem conduzido as reformas de uma forma brilhante e abordado temas que estavam congelados desde o Concílio de Trento", disse Betto, em entrevista à ANSA. "Consequentemente, Francisco tem encontrado resistência da ala conservadora, de bispos que não se intimidam em demonstrar sua própria insatisfação, dizendo, inclusive, que o Papa ainda é Bento XVI, enquanto ele estiver vivo", contou.
    Mas a oposição parece não intimidar Bergoglio, que em seus primeiros anos de Pontificado já demonstrou ímpeto suficiente para afirmações polêmicas. A mais recente delas foi a recomendação para que os fiéis "não tenham filhos igual coelhos". Ele também já recomendou que a Igreja Católica "acolha" os divorciados e homossexuais sem "julgá-los".
    "O Papa angariou a simpatia de todas as pessoas. Conheço ateus e evangélicos que dizem ter simpatia por Francisco", disse Frei Betto. A Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos vai ocorrer entre os dias 4 e 25 de outubro de 2015, com o tema "A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo".

 

Relembre as declarações mais polêmicas do Papa sobre família e sexualidade:

 

Divórcio:

 

"Os pastores da Igreja são convidados a dar assistência aos divorciados ou separados de maneira que eles não se sintam excluídos da misericórdia de Deus, do amor fraterno dos outros cristãos e do interesse da Igreja na salvação deles."


"Os pastores devem prestar assistência aos que vivem nessa situação, ajudá-los a não abandonarem a fé e a colocarem no coração dos filhos a plenitude da experiência cristã."

 

Mulheres:


"Um mundo no qual as mulheres são marginalizadas é um mundo estéril."


"Escutem mais as mulheres, não sejam machistas."

 

Família:

 

"Católicos não precisam procriar 'como coelhos'."


"Os filhos precisam de um pai que os acolham ao voltarem para casa com seus fracassos. E os pais, às vezes, terão que castigá-los, mas nunca bater no rosto."


"Hoje, as mídias mais modernas - sobretudo para os jovens - são impossíveis de serem renunciadas e tanto podem ajudar como atrapalhar a comunicação familiar. Elas atrapalham quando se tornam uma via de escape para ouvir, se isolar, mas podem favorecer se ajudam a conversar e a dividir."

 

Homossexualidade:

 

"Quem sou eu para julgar? Não achei documentos de identidade gay no Vaticano. Dizem que têm, mas eu acredito que seja necessário distinguir o fato de uma pessoa ser gay do fato que faz lobby."


"Se uma pessoa é gay e busca a Deus, quem sou eu para julgá-la?"


"Se, por exemplo, uma expedição de marcianos aparecer e um deles vir até nós e pedir para ser batizado, o que aconteceria?"

 

Aborto:

 

"O aborto não é uma solução. Devemos escutar, acompanhar e compreender daqui a fim de salvar duas vidas: respeitar o menor e mais indefeso ser humano, adotar medidas que possam preservar sua vida, permitir seu nascimento e logo ser criativos na busca de caminhos que o levem a pleno desenvolvimento." (ANSA)

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