Na COP21, países tentarão acordo para frear aquecimento

Contribuição de cada nação é o principal entrave nas negociações

Na COP21, países tentarão acordo para frear aquecimento (foto: EPA)
16:25, 29 NovSÃO PAULO Por Lucas Rizzi

(ANSA) - A partir da próxima segunda-feira, 30 de novembro, a comunidade internacional terá a melhor oportunidade em muito tempo para finalmente chegar a um acordo que combata efetivamente o aquecimento global. Com segurança reforçada e em clima de alerta devido aos atentados de 13 de novembro em Paris, a 21ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre as Mudanças do Clima (COP21) levará à capital francesa líderes do mundo todo, incluindo o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, principal fiador de um eventual pacto.
   
Nos últimos meses, o mandatário norte-americano reiterou a importância de se chegar a um acordo amplo que substitua o Protocolo de Kyoto, em vigor desde 2005, e limite o crescimento das temperaturas no planeta. Para demarcar sua posição de liderança nas discussões na COP21, Obama adotou medidas importantes em casa, como o veto ao oleoduto canadense Keystone e a promessa de reduzir em 32% até 2030 as emissões de carbono nas usinas termoelétricas dos EUA.
   
A China, que acompanha os Estados Unidos na lista dos dois países mais poluentes do mundo, tem investido pesadamente em energias renováveis. "O momento hoje é diferente. EUA e China, os dois maiores emissores, estão com compromissos concretos, eles perceberam que esse é o futuro. Os dois países assinaram uma carta de propostas conjuntas para as questões climáticas e têm interesse em chegar a um acordo", explica o coordenador de projetos de clima e energia da ONG Greenpeace no Brasil, Pedro Telles, que se diz "cautelosamente otimista" quanto à possibilidade de um pacto ser firmado em Paris.
   
O Protocolo de Kyoto foi criado em 1997 e entrou em vigor oito anos mais tarde, estipulando uma meta de redução de 5,2% nas emissões de carbono de países desenvolvidos em relação aos patamares de 1990 (as nações em desenvolvimento não tiveram objetivos definidos). No entanto, o documento perdeu força devido à recusa dos EUA, na época comandados por George W. Bush, em assiná-lo e à falta de instrumentos que garantissem o cumprimento de suas obrigações.
   
Em Paris, os membros da Conferência das Partes tentarão estabelecer um acordo que limite a elevação das temperaturas globais em até 2º em relação aos níveis pré-industriais, mas as dificuldades começam a aparecer quando se fala em qual será o tamanho da contribuição de cada país.

"Os principais nós que temos hoje são na chamada 'responsabilidade comum, porém diferenciada'. O princípio das negociações é que todos são responsáveis, mas algumas nações desenvolvidas contribuíram mais para o problema e possuem mais condições tecnológicas de propor soluções, por isso o papel deles tem de ter mais peso. É preciso chegar a uma solução vista como justa para os países desenvolvidos e viavel para os em desenvolvimento", ressalta Telles.
   
Para o Greenpeace, é importante que um eventual acordo seja renovado a cada cinco anos para se tornar cada vez mais ambicioso, possua metas claras de longo prazo, garanta transferência de tecnologias para nações em desenvolvimento e tenha transparência para assegurar que todos farão sua parte.
   
"Queremos que seja um acordo vinculante, que se torne lei em cada país, mas não está claro se isso vai acontecer", acrescenta o coordenador da ONG.
   
Segundo Pedro Jacobi, coordenador do Grupo de Estudos de Meio Ambiente e Sociedade do Instituto de Estudos Avançados da USP, é importante aumentar a capacidade de cada sociedade de se proteger de eventos extremos.

"Esse é um tema que vai cobrar muitas vidas", afirma o especialista, que também diz estar otimista, embora as negociações por um acordo ainda estejam cercadas por algumas "incertezas", principalmente na definição das responsabilidades de cada Estado.
   
Brasil

O Brasil chegará à COP21 com metas claras, mas pouco ambiciosas. O governo Dilma Rousseff promete reduzir as emissões de gases do efeito estufa no país em 37% até 2025 e em 43% até 2030 e eliminar o desmatamento ilegal na Amazônia dentro dos próximos 15 anos, porém sem estipular prazos para o restante do território nacional.
   
"Nós vamos aceitar a ilegalidade por mais 15 anos na Amazônia e sabe-se lá por quanto tempo no resto do país. O Greenpeace defende desmatamento zero já", afirma Pedro Telles. Segundo ele, o Brasil ainda assim apresentou números melhores que outros Estados, mas poderia ter feito mais. "Deixou a desejar em termos de ambição", salienta.
   
Para Pedro Jacobi, o país deve ter um peso bastante limitado nas discussões, ainda mais por conta do pouco envolvimento das lideranças nacionais em questões ambientais devido à atual crise política e econômica. "Mas o Brasil é um emissor que não pode ser desconsiderado", diz. (ANSA)

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