'O que Obama quer em Cuba ?', questiona Fidel a Frei Betto

Fidel disse ao brasileiro que irá receber Obama muito bem

'O que Obama quer em Cuba ?', questiona Fidel a Frei Betto (foto: EPA)
14:03, 23 FevSÃO PAULO Por Sarah Germano

(ANSA) - O teólogo brasileiro Frei Betto, que é muito amigo de Fidel Castro, disse, após encontrá-lo na última sexta-feira, que o líder da Revolução Cubana (1959) recebeu bem a notícia da visita do presidente dos EUA, Barack Obama, à ilha, anunciada na semana passada, mas se questionou sobre seus objetivos.
   
"Ele perguntou o que eu achava e depois deixou uma pergunta no ar. 'O que quererá Obama com essa visita?'.", explicou Betto, em entrevista à ANSA Brasil. Ainda de acordo com ele, Fidel disse que pretende recebê-lo muito bem.
   
O religioso, que voltou de Cuba hoje, dia 22, explicou que o anúncio, feito na semana passada pelo mandatário norte-americano, "teve uma excelente repercussão entre o povo cubano".
   
"Cria-se expectativa de anulação do bloqueio econômico [imposto há mais de 50 anos], depende do Congresso, mas o fato de Obama ir a Havana é muito significativo. Cuba se prepara para recebê-lo da forma mais calorosa possível".
   
Frei Betto ainda atentou ao fato de que Obama está indo a Havana e não Raúl Castro a Washington, pois "quem agrediu, quem rompeu as relações foram os Estados Unidos". "Essa ida me parece quase um certo pedidos de desculpas", destacou.
   
Para o teólogo, "Obama tenta salvar seu lugar na história", após fracassar nas tentativas de paz no Oriente Médio e na questão da reforma da Saúde dentro dos Estados Unidos. "O que marca seu mandato é a aproximação de Cuba, que é, na verdade, mérito do papa Francisco", conclui.
   
O presidente norte-americano anunciou no último dia 18, em sua conta no Twitter, que irá realizar uma visita histórica a Cuba em março, tornando-se o primeiro mandatário do país a visitar a ilha em 88 anos.
   
Segundo representantes da Casa Branca, a viagem acontecerá entre os dias 21 e 22 de março e a primeira-dama, Michelle Obama, acompanhará o chefe de Estado. A histórica viagem acontece em meio ao processo de retomada de relações entre os dois países, anunciado em dezembro de 2014. (ANSA)

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