Em 'Alma', Gaia faz viagem interior e ressalta poder feminino

Cantora ítalo-brasileira lançou novo disco nesta sexta (29)

Gaia Gozzi lança seu segundo álbum
Gaia Gozzi lança seu segundo álbum (foto: Illaria Leie)
18:42, 29 OutSÃO PAULO Luciana Ribeiro

(ANSA) - Por Luciana Ribeiro - "Se está na minha pele, significa que é real." É com esta frase que a cantora ítalo-brasileira Gaia Gozzi anunciou o lançamento de seu novo álbum, "Alma". A palavra "Alma" tatuada em suas costas representa o mesmo que seu disco: uma viagem interior, a exploração de seu próprio universo, suas experiências e de suas próprias almas.

 "'Alma' é um pouco uma reza, um mantra que deixa você entrar numa nova visão da vida musical e artística do meu processo de crescimento", conta Gaia à ANSA, revelando que seu segundo álbum explora "seu percurso de regressão, com todos os seus traumas e respostas a eles".

"Foi um processo intenso, mas necessário. Teve um momento em que eu entendi que não estava conseguindo lidar comigo mesma. E uma das mais importantes lições que meus pais e a vida em si me deram é essencialmente a de se escutar", afirma.

Para ela, todos têm as respostas dentro de si, então é preciso "simplesmente achar um momento e um processo meditativo para achá-las".

Explorando o tropicalismo e o pop contemporâneo de Gaia, o novo projeto é composto por 15 faixas em italiano e português e também tem como objetivo "dar uma outra perspectiva para o público" na Itália.

"Eu sinto que tem muita sabedoria prática na cultura europeia.Tem muito conhecimento cultural, mas tem realmente pouca sabedoria abstrata. E a gente precisa desse equilíbrio", acrescenta a dona dos hits "Chega" e "Boca".

Segundo Gaia, o momento vivido em decorrência da pandemia de Covid-19 foi "fundamental" para as pessoas prestarem atenção em si e, mesmo que esse processo tenha causado dor, foi possível "crescer".

"Foi realmente um momento em que o mundo disse 'Ok, para', e agora você terá de olhar para o espelho e entender o que é saudável para você", diz a artista ítalo-brasileira.

Para Gaia, a música "é um daqueles termos mais ativistas nesses momentos históricos e que realmente mostra uma fotografia daquilo que está acontecendo nas cabeças e nos corações das pessoas".

Em todo o processo de criação do novo disco, Gaia diz que também percebeu a evolução de sua própria alma.

"A minha alma agora se sente mais livre para ser o que ela quer ser, e eu descobri uma alma centenária em mim, que eu tenho de ser respeitosa e ter respeito por todas as coisas que eu já vivi e por todo o sofrimento que tive de sentir", garante.

Em breve o público terá a chance de ver esse amadurecimento nos palcos, algo que Gaia considera "um momento de celebração, no qual eu posso ver e olhar nos olhos de todas as pessoas que vieram compartilhar comigo a música e o poder da música".

Um de seus desejos é que "todas as pessoas possam sair do show e se sentir potentes, para um bem maior". "A parte 'live' é fundamental para que esse disco possa ser compreendido e entendido", afirma.

Empoderamento feminino -

Além da viagem interior e da exploração de boas vibrações e positividade, o disco aborda temas como a natureza, a inclusão e, principalmente, o empoderamento feminino.

"É uma maneira de lembrar para mulheres, homens e toda a comunidade de seres humanos que cada um de nós tem um poder enorme. A figura da mulher está cansada de ter que lutar pelo próprio espaço", ressalta Gaia.

A artista explica que essa postura não diz respeito "ao feminismo que vai colocar a mulher em uma posição patriarcal", no qual a "sensação de hierarquia continua", mas sim ao feminismo que "quer reconstruir essa sociedade e colocar a meritocracia e respeito como base".

"As mulheres poderosas têm que falar para todas as meninas que estão crescendo agora que elas são suficientes, com todas as partes que completam as almas delas", diz.

Em uma de suas canções mais empoderadas, "Marina", Gaia convidou o italiano Gemitaiz, "um homem feminista, que vem do rap, [estilo] que sempre foi muito machista e misógino e que sempre tentou colocar a mulher em uma condição de não poder responder à opressão".

"Colocar um rapper italiano, que vai descrever a mulher dele como poderosa, suficiente para si mesma, mas que escolhe tê-lo ao seu lado como homem, para mim, isso é feminismo", acrescenta.

Sobre diversidade, Gaia quis produzir um disco "sem gênero", no qual a inclusão "torna-se rima, nota e voz", indo "além dos rótulos e das categorias impostas".

De acordo com ela, as pessoas precisam entender que a batalha por uma causa, seja pela comunidade LGBTQIA+, pelas mulheres ou pela natureza, "é uma luta para todos". (ANSA)

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