Britney Spears pede fim da tutela do pai em audiência nos EUA

Cantora afirmou estar 'traumatizada' com controle de sua vida

Fãs demonstram apoio durante audiência na Califórnia (foto: EPA)
10:36, 24 JunNOVA YORK ZGT

(ANSA) - Pela primeira vez, a cantora norte-americana Britney Spears participou de uma audiência que discute a tutela de seu pai, Jamie Spears, e revelou estar "traumatizada" com a vida que está sendo submetida. Desde 2008, o pai da artista tem total controle sobre sua vida, sobre sua fortuna e sobre seus negócios.

Perante um tribunal da Califórnia, nos Estados Unidos, nesta quarta-feira (23), Britney fez uma longa exposição de 24 minutos e explicou tudo que vem passando.

"Eu estive em negação, em choque, estou traumatizada. Eu menti para o mundo inteiro que estava feliz. Não consigo dormir, estou deprimida e choro todos os dias. Eu realmente acredito que essa é uma tutela abusiva. É desmoralizante tudo que passei, mas nunca disse isso abertamente. Não estou mentindo. Só quero minha vida de volta", disse ao tribunal.

A cantora de 39 anos afirmou ainda os 13 anos que passou sob a tutela do pai "foram suficientes" e que "faz muito tempo que eu não tenho o meu dinheiro". "É meu desejo e meu sonho que isso acabe", acrescentou.

Segundo Britney, seus pais "fizeram um bom trabalho explorando minha vida" e, por isso, "acredito que eles devem ouvir tudo o que tenho a dizer". Entre as acusações que fez a Jamie Spears, disse que foi obrigada a fazer uma turnê em 2018 e que foi obrigada a trocar a medicação e tomar remédios a base de lítio após se negar a prolongar sua residência de shows em Las Vegas.

"O lítio é um remédio muito forte e completamente diferente do que eu estava acostumada. Você pode ficar mentalmente debilitada se ficar com ele por mais de cinco meses. Eu me sentia bêbada, não conseguia conversar com minha mãe ou meu pai sobre qualquer coisa. Eram seis enfermeiras cuidando de mim", relatou à juíza do caso.

Ela ainda acrescentou que "tem o direito" de dar pausas em sua carreira a cada "dois ou três anos" para poder viver a sua vida.

Outro ponto revelado por Britney é que ela tinha o desejo de ter mais filhos - ela tem dois - e de se casar novamente. Mas, que como usa um DIU para evitar a gestação, seus tutores nunca permitiram que ela removesse o dispositivo ou se casasse de novo.

"Não só minha família não fez nada, meu pai era totalmente a favor [de me impedir de ter filhos]. Qualquer coisa que acontecesse comigo precisava ser aprovada pelo meu pai. Quero ser ouvida, quero mudanças e eu mereço mudanças", acrescentou.

Ao ser questionada sobre o que sentia pela família, Britney disse que "queria processar" todos eles porque vivem com um "comportamento criminoso". Relatando que, após uma discussão com o pai, ele a mandou para uma clínica de reabilitação, a cantora afirmou que "ficou uma hora no telefone chorando" e que Jamie "amou cada minuto".

"O controle que ele tinha sobre alguém tão poderoso quanto eu... ele amou o controle de machucar sua própria filha. Cem mil por cento, ele amou isso", disse ainda a artista.

Os áudios da audiência foram tornados públicos com o consentimento da própria cantora, mas a parte em que o pai ou a mãe, Lynne Spears, falaram não foi publicada. O advogado de Britney tenta fazer com que a justiça retire a necessidade de tutela total do pai da cantora.

Recentemente, uma decisão judicial permitiu que o controle das finanças fosse compartilhado com um banco, mas nada foi feito em relação à vida dela.

Em um documentário publicado nos Estados Unidos, detalhes da ação foram mostrados ao público bem como o crescente movimento de fãs que pedem a liberdade da cantora, conhecido como #FreeBritney.

O questionamento tanto dos advogados como de pessoas que trabalharam com a artista era de que Britney fez turnês e trabalhou normalmente, mas não era considerada capaz de gerir seus negócios. A tutela é sempre dada para casos em que as pessoas são incapazes de ter qualquer tipo de trabalho remunerado.

Além disso, o documentário ressalta que Jamie ficou longe da vida da filha por muitos anos - ela sempre era acompanhada pela mãe ou por uma amiga da família. Mas, que se reaproximou depois que episódios de descontrole foram registrados. (ANSA).
   

Todos los Derechos Reservados. © Copyright ANSA